Em um dia marcado por ajustes nas carteiras globais e pela queda expressiva das bolsas americanas, o Ibovespa adotou um tom mais negativo nesta sexta-feira. Desde os primeiros minutos do pregão, o índice foi afetado pelo avanço bem acima do esperado da prévia da inflação de fevereiro, o que pesou sobre a curva de juros e teve efeito direto em ações cíclicas domésticas. No fim da manhã, o índice chegou a oscilar próximo à estabilidade e tocar os 191.005 pontos, mas o alívio foi momentâneo.
No término da sessão, o Ibovespa cedeu 1,16%, aos 188.787 pontos, após tocar os 188.478 pontos, na mínima do dia. Na semana, o índice recuou 0,92%. Já no mês, a alta foi de 4,09%. A volatilidade foi elevada nesta sexta-feira, em virtude da aproximação do fim do bimestre, que é marcada pelo rebalanceamento do MSCI e de carteiras de fundos de pensões internacionais. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi elevado, de R$ 26,5 bilhões, e de R$ 35,5 bilhões na B3.
O desempenho majoritariamente negativo de blue chips também ajudou a intensificar as perdas do Ibovespa no pregão. Depois de balançar ao longo da sessão, as ações da Petrobras fecharam em queda: as PN cederam 0,71% e as ON tiveram baixa de 0,05%, na contramão da alta forte do petróleo. Da mesma forma, as ON da Vale desvalorizaram 0,83%.
Já os bancos fecharam em queda, com exceção das ações do Bradesco. As PN do banco subiram 0,81%, enquanto as ON tiveram alta de 0,66%, ambas encerrando distantes das máximas. Hoje, a instituição financeira anunciou a criação da Bradsaúde, novo nome da Odontoprev, onde o grupo irá consolidar as operações de saúde.
Segundo o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, a consolidação pode ter efeito positivo para o banco, já que esses ativos hoje estão contabilizados no balanço pelo valor contábil e depois serão registrados pelo valor de mercado.
O analista-chefe e sócio da Mantaro Capital, Pedro Gonzaga, destaca que o mercado reagiu positivamente ao fato de o Bradesco ter feito questão de mencionar na coletiva de hoje que o maior objetivo do banco e da Odontoprev, com a criação da Bradsaúde, é destravar valor, dando maior visibilidade sobre o potencial da transação.
“É um negócio que tem um lucro relevante, de quase R$ 4 bilhões, com uma rentabilidade alta, de mais 20% de retorno sobre patrimônio líquido, e que com isso deveria negociar num múltiplo potencialmente maior do que o próprio Bradesco. Isso fico mais flagrante agora com essa transação”, diz Gonzaga.
O sócio da Mantaro Capital aponta ainda que a criação da Bradsaúde colocou em evidência um negócio, que ficava escondido no Bradesco e que era negociado a múltiplos menores. “Agora, esse ativo está sendo avaliado em um ‘rumo’ mais adequado.”
Investidores acompanharam hoje também a divulgação dos números da prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, que mostrou uma alta de 0,84% em fevereiro, no topo das projeções colhidas pelo VALOR DATA, que era de 0,69%. A mediana das estimativas estava em 0,56%.
A surpresa negativa com o IPCA-15 afetou em cheio os juros futuros, que registraram forte alta hoje, o que pesou sobre ações cíclicas domésticas, caso de Natura & Co (-5,20%), Rumo (-3,97%), Vivara (-3,71%).
Lá fora, investidores também reagiram negativamente aos números do índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA e à perspectiva de aumento do risco geopolítico com o Irã. Em Wall Street, os principais índices amargaram perdas: no fim, o Dow Jones cedeu 1,05; o Nasdaq recuou 0,92%; e o S&P 500 teve baixa de 0,43%.
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