O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou nesta sexta-feira (30), em entrevista ao programa “Diálogos”, da GloboNews, que não pretende ser candidato a nenhum cargo eletivo neste ano de 2026.
“Não tem nada definido. Já conversei com o presidente Lula sobre o tema, estamos conversando, mas não tenho essa pretensão de me colocar este ano. Eu tenho tentado explicar para meus companheiros a razão disso”, afirmou o ministro.
Haddad deve deixar o ministério em fevereiro para, em suas palavras, colaborar com a campanha pela reeleição do presidente Lula.
Há, no entanto, pressões do PT para que Haddad dispute uma cadeira para o Senado neste ano. Nas próximas eleições de outubro, haverá renovação de dois terços do Senado, além das disputas na Câmara dos Deputados, pelos governos estaduais e à Presidência da República.
Haddad está lançando o livro “Capitalismo Superindustrial”, pela Companhia das Letras, no qual, segundo resenha da editora, “reúne estudos sobre economia política e a natureza do sistema soviético realizados nos anos 1980 e 1990, revisados e ampliados, de modo a contemplar a bibliografia produzida desde então, bem como os desafios colocados pelo advento da China como potência global”.
Na entrevista, Haddad defende que a esperada disputa entre os detentores dos meios de produção e os proletários (que vendem sua força de trabalho) não se realizou historicamente, por haver uma fragmentação entre os não-proprietários (proletariado), ou seja, não há entre essa classe interesses universais.
Nesse sentido, Haddad destaca o “papel relevante da política” em oferecer oportunidades emancipatórias, uma vez que, em suas palavras, “não há nada de natural em movimento emancipatório, que precisa ser trabalhado pela política”.
“Quando as estruturas do século 20 desabaram – o sistema soviético, o nacional-desenvolvimentismo, a social-democracia -, o progressismo ficou um pouco órfão dessas estruturas e não colocou nada no lugar; e quando o neoliberalismo fez água em 2008, a esquerda não estava preparada para apresentar uma alternativa; quem apareceu no cenário foi exatamente a extrema direita”, raciocinou.
Haddad defende que o campo progressista precisa estudar economia política. “Não acredito que se possa forjar um projeto mais ousado, com um salto de qualidade, sem mais análise.”
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