Os gastos da Câmara dos Deputados com diárias para alimentação e hospedagem em viagens oficiais dispararam 78% no primeiro ano da gestão do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), saltando de R$ 2,1 milhões em 2024 para R$ 3,8 milhões em 2025, sem que a inflação do período, de cerca de 5%, justifique esse avanço.
De acordo com dados compilados pela Folha de S. Paulo publicados nesta segunda (9), 202 dos 513 deputados federais recorreram ao benefício em 2025, contra 153 no ano anterior, o que fez o número total de diárias crescer de 876 para 1.482 em apenas um ano. Na prática, mais parlamentares viajaram e por mais tempo, ampliando o custo bancado pelo contribuinte.
Recordista de viagens em 2024, com R$ 74,4 mil gastos em seis missões oficiais, Hugo Motta afirma que o crescimento das despesas deve ser analisado dentro de um contexto de “crescente apelo pela chamada diplomacia parlamentar” e do maior protagonismo do Congresso no cenário internacional. Segundo ele, o momento global exige mais articulação entre parlamentos.
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Motta sustenta ainda que o atual cenário de tensão e incerteza no mundo torna necessário que deputados estejam “mais bem informados e conectados”, o que explicaria a intensificação do contato com outros países. Para o presidente da Câmara, é natural que os parlamentares “interajam mais com suas contrapartes estrangeiras”.
“Essa condição de liderança também eleva a atenção de parceiros estrangeiros para os trabalhos do Parlamento brasileiro, com a consequente demanda por contatos”, declarou Motta ao citar a presidência do P20 em 2024 e do Fórum Parlamentar do Brics em 2025.
Apesar do valor milionário, as diárias cobrem apenas despesas como alimentação, hospedagem e transporte local, como táxis, e não incluem passagens aéreas. No caso do presidente da Câmara, também não entram na conta os custos com o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
Entre os demais recordistas de gastos, estão Claudio Cajado (PP-BA), com R$ 68 mil; João Carlos Bacelar (PL-BA), com R$ 58 mil; Murilo Galdino (Republicanos-PB), com R$ 55,9 mil; e Pedro Paulo (PSD-RJ), com R$ 49,8 mil.
Entre os destinos mais frequentes pagos com recursos públicos estão alguns dos principais cartões-postais do mundo, como Londres, Roma, Genebra, Nova York e Buenos Aires. Nenhuma cidade brasileira aparece entre os dez destinos mais visitados nos últimos dois anos.
Lisboa lidera o ranking, impulsionada pelo Fórum Jurídico organizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apelidado de “Gilmarpalooza”. Em 2024, 33 deputados receberam diárias para a capital portuguesa, número que subiu para 42 em 2025.
Buenos Aires também entrou na rota após sediar uma edição inédita do mesmo fórum no ano passado. Já Nova York e Londres atraíram parlamentares por eventos como a Brazil Week e o fórum empresarial do Lide, organizado pelo ex-governador João Doria.
A escalada dos gastos foi potencializada pelo reajuste de 60% no valor das diárias, autorizado em abril de 2024 pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Os valores passaram para até R$ 2,2 mil no exterior e R$ 842 em viagens nacionais, enquanto o presidente da Casa recebe cifras ainda maiores, passando de R$ 980 nas nacionais e R$ 2,8 mil nas internacionais.
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