Jack Lang, ex-ministro da Cultura da França, renunciou à presidência do Instituto do Mundo Árabe (IMA), informou o Ministério das Relações Exteriores da França neste sábado (7), após revelações sobre seus contatos passados com Jeffrey Epstein e a abertura de uma investigação financeira.
No início deste sábado, o Ministério Público Financeiro francês abriu uma investigação contra Jack Lang e sua filha, Caroline, sob suspeita de “lavagem de dinheiro agravada por fraude fiscal”.
O pedido de renúncia de Lang se intensificou desde que documentos divulgados em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos EUA mostraram que Epstein e Lang trocaram correspondências com frequência entre 2012 e 2019, ano em que o financista cometeu suicídio na prisão.
A imprensa francesa, incluindo os jornais Le Monde, Le Figaro e Mediapart, noticiou a abertura de uma investigação preliminar após documentos americanos revelarem anos de correspondência e vínculos financeiros entre Lang e Epstein.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a investigação, mas não forneceu mais detalhes.
Jack Lang foi intimado a comparecer no domingo ao Ministério das Relações Exteriores, que supervisiona o Instituto do Mundo Árabe, uma instituição cultural e de pesquisa que promove a compreensão do mundo árabe.
Lang nega irregularidades
O ex-ministro afirmou anteriormente em seu perfil no X que recebia a investigação “com serenidade e até mesmo alívio”. “As acusações feitas contra mim são infundadas, e demonstrarei isso, para além do alvoroço da mídia e dos tribunais digitais”, acrescentou.
O nome de Lang aparece mais de 600 vezes nos arquivos de Epstein, de acordo com uma análise da Reuters. Na segunda-feira, Caroline Lang, executiva de mídia com longa trajetória na área, renunciou à presidência do Sindicato dos Produtores Independentes da França após suas próprias ligações com Epstein virem à tona.
O advogado de Jack Lang disse à BFM TV que “provaria que seu cliente não está envolvido em nenhuma irregularidade ou crime”. “Não houve movimentação de fundos… Mas acho normal que a justiça queira verificar isso”, disse Laurent Merlet.
A divulgação dos arquivos aumentou o escrutínio sobre as conexões globais de Epstein com figuras públicas, incluindo Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do Rei Charles, Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, e a princesa herdeira norueguesa Mette-Marit.
Camille Raynaud, Tangi Salaun, Elizabeth Pineau, Jean-Stephane Brosse e Benoit Van Overstraeten, da Agência Reuters
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