A União Europeia (EU) prometeu dar uma resposta coordenada às tarifas impostas por Donald Trump neste sábado (17) contra oito países do bloco que rejeitam negociar a compra da Groenlândia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que as medidas “prejudicam as relações transatlânticas” e podem desencadear uma crise no relacionamento entre americanos e europeus.
Em uma postagem no X, Von der Leyen ainda garantiu que a Europa permanecerá “unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”. Outras autoridades europeias deixaram claro que não aceitarão pressões externas para redefinir fronteiras territoriais.
Trump anunciou tarifas de 10% sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. O percentual pode subir para 25% em junho. As sobretaxas permanecerão até que Washington e o governo dinamarquês fechem um “acordo completo e total” para a venda do território autônomo.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu uma “resposta firme”. Ele criticou o uso de tarifas punitivas entre aliados e destacou que disputas comerciais devem ser resolvidas por meio de negociação e abertura de mercados. Costa deu as declarações no Paraguai, onde a UE acaba de fechar um acordo comercial com o Mercosul.
Líderes falam em “ameaça à soberania”
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, expressou surpresa com as tarifas. Ele negou que tropas europeias foram envidadas para a Groenlândia com “fins desconhecidos”, como afirmou Trump
Segundo Rasmussen, a operação busca reforçar a segurança no Ártico, pois a região deixou de ser uma zona de baixa tensão. O chanceler dinamarquês ainda afirmou que todas as ações foram coordenadas com Washington e a UE, “com total transparência”.
Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, classificou as tarifas como “completamente desastradas”. Ele disse que o futuro da Groenlândia deve ser decidido por sua população e pela Dinamarca, não por imposições de Washington.
Emmanuel Macron foi mais contundente. O presidente francês comparou a defesa da soberania europeia à luta pela independência da Ucrânia e destacou a necessidade de resistir ao que chamou de “chantagem”. “A França apoiará a soberania de seus parceiros”, disse.
Já o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, reforçou que os países europeus agirão de forma conjunta. “Não nos deixaremos intimidar”, afirmou.
Reunião de emergência
Uma reunião extraordinária de embaixadores europeus foi convocada em Bruxelas para a tarde de domingo (18). O encontro tem como principal objetivo definir uma posição comum do bloco, para evitar respostas isoladas que enfraqueçam a estratégia da UE.
Diplomatas vão avaliar quais instrumentos comerciais e jurídicos estão disponíveis para reagir às medidas americanas, o que pode incluir mecanismos de retaliação previstos nas regras da UE. Outro foco será discutir os limites do uso de tarifas como instrumento de coerção política entre aliados.
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