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Entrada forte do investidor estrangeiro traz também distorções, diz da Alpha Key | Finanças

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A intensa entrada de capital estrangeiro aqui no Brasil tem levado o Ibovespa a renovar recordes. Porém, o movimento tem levado a algumas distorções no mercado. A avaliação foi feita hoje pelo CEO da Alpha Key, Christian Keleti, durante evento do UBS BB em São Paulo.

“Como o gringo está ‘passando o trem’ em cima da gente, todo dia você olha o valuation e nós vamos perder a referência de ‘valuation’. Itaú está dez vezes [preço sobre lucro] e tem 20% de ROE [Retorno sobre Patrimônio Líquido]. É maravilhoso. É ótimo, mas está chegando perto de 3 vezes o valor patrimonial”, disse o executivo.

O CEO chama atenção ainda para outro caso que é o da Vale, em que a companhia está negociando a cinco vezes dívida líquida sobre Ebitda, sendo que o histórico está entre quatro e cinco vezes, contra a Southern Copper Corp (gigante de cobre do Peru), que está negociando a 15 vezes dívida líquida sobre Ebitda. A primeira, diz, vale cerca de US$ 170 bilhões, enquanto o valor de mercado da Vale está cerca de US$ 70 bilhões. “Mas não dá para brigar com o fluxo estrangeiro”, avalia.

Keleti, da Alpha Key: ingresso forte de estrangeiro pode fazer referência de “valuation” se perder — Foto: Rogerio Vieira/Valor

Outro exemplo é o caso de Ambev, que tem sido favorecida por estar entre as companhias mais líquidas do índice. “A companhia está num high histórico, mas a empresa não cresce há dez anos”, pondera.

Embora esteja causando algumas distorções nos múltiplos, Keleti avalia que o fluxo estrangeiro não vai parar tão cedo e há chance de que falte papel na B3. “Nunca vi, em tão pouco tempo, uma força tão grande vinda do gringo. Estamos ficando sem papel”, resume.

Ele destaca que hoje há dois fatores atuando para atrair capital para cá. O primeiro é o cenário macroeconômico mais favorável do ponto de vista global. Keleti afirma que o estrangeiro está olhando que o presidente americano, Donald Trump, não vai mudar a visão dele sobre a Groenlância ou sobre a Venezuela.

Além disso, diz o executivo, há chance de que o próximo presidente do Federal Reserve (Fed) seja uma pessoa mais “dovish” (menos inclinada ao aperto monetário).

“O fluxo para ‘emerging markets’ [mercados emergentes] está só começando. Em 17 pregões, os estrangeiros botaram R$ 20 bilhões”, diz.

Outro ponto seria a queda de juros no Brasil. Keleti diz esperar que, se não cortar hoje os juros, o Banco Central sinalize, pelo menos, que o corte da Selic deva começar em breve.

Com o vetor macroeconômico global mais favorável, a queda dos juros no Brasil e os fundos voltando a captar, o único fator que faltará é a questão política, observa o executivo.

“Tecnicamente, está perigoso. Só falta a ‘flecha’ do fator político”, diz. “Se juntar tudo isso, o cenário é mais assustador do que os R$ 4,40 [valor justo do dólar segundo o gestor da Verde Asset, Luis] do Stuhlberger. A gente vai chegar aqui e vai estar com a bolsa em 300 mil pontos”, acrescenta.

Ainda que o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha impulsionado uma aversão a risco nos mercados locais, o gestor da Absolute Investimentos, Christian Faricelli, afirma não ter “problema nenhum” com o nome do senador.

“Só achamos que a chance dele ganhar contra o Lula [Luiz Inácio Lula da Silva, presidente] é muito mais baixa do que qualquer outro candidato”, afirma o executivo, que participou do mesmo painel.

Outro ponto importante é que não há muitas “referências ” sobre o passado de Flávio. “Não sabemos o que ele pensa sobre economia, saúde, reforma política. Você olha o currículo dele e você não sabe o que ele pensa”, diz. “Pode ir para um caminho muito bom que é fazer o que o Jair [Bolsonaro] fez com o [ministério] de infraestrutura e Economia, mas pode ir muito mal, dependendo da pessoa que ele escolher”, acrescenta.

Embora o cenário eleitoral ainda pareça bastante acirrado, a avaliação de Keleti é que as eleições irão gerar volatilidade. “Mas fazer um hedge (proteção) agora olhando para daqui a oito, nove meses, não vai funcionar. Vai gastar prêmio. O Ibov [Ibovespa] virou um dos piores hedges da história. Vender índice é péssima ideia. Pode zerar”, resume.

O CEO da Alpha Key, porém, avalia que há alguns nomes que poderão performar bem em ambos os cenários eleitorais, como Allos, IRB (Re) e Moura Dubeux. Já Faricelli aposta em Sabesp, Prio e IRB (Re) como algumas das empresas que poderão ter uma performance atrativa nos dois cenários.

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