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Entenda o que está por trás do ataque do Paquistão ao Talibã no Afeganistão | Mundo

O Paquistão fez ataques aéreos contra as principais cidades do Afeganistão na madrugada desta sexta-feira (horário de Brasília). O país atacado é governado atualmente pelo grupo Talibã, que teve ajuda do Paquistão para sua origem, nos anos 1990, e apoio dos paquistaneses por décadas, mas agora estão há meses em conflito.

Os ataques aéreos e terrestres, que atingiram postos militares do Talibã, quartéis-generais e depósitos de munição em vários setores ao longo da fronteira, ocorreram após o Afeganistão lançar um ataque contra forças de fronteira paquistanesas, segundo as autoridades.

Ambos os lados relataram pesadas perdas nos combates, e o ministro da Defesa do Paquistão classificou o conflito como uma “guerra aberta”.

As tensões vêm aumentando desde que o Paquistão lançou ataques aéreos contra alvos militantes no Afeganistão no fim de semana passado.

Antes disso, confrontos fronteiriços entre os dois países deixaram dezenas de soldados mortos em outubro de 2025, até que negociações mediadas por Turquia, Catar e Arábia Saudita encerraram as hostilidades e estabeleceram um frágil cessar-fogo.

O conflito crescente contrasta fortemente com o apoio histórico de Islamabad ao Talibã. Veja os principais pontos que desencadearam este conflito:

Por que a aliança entre os dois foi quebrada?

O Paquistão recebeu com satisfação o retorno do Talibã ao poder em 2021, com o então primeiro-ministro Imran Khan dizendo que os afegãos haviam “quebrado as correntes da escravidão”.

Mas Islamabad logo percebeu que o Talibã não era tão cooperativo quanto se esperava.

Islamabad afirma que a liderança do grupo militante Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como Talibã Paquistanês, e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados que buscam independência para a província paquistanesa do Baluchistão, no sudoeste do país, também usam o Afeganistão como refúgio seguro.

A militância aumentou a cada ano desde 2022, com ataques do TTP e de insurgentes baluches crescendo, segundo a organização global de monitoramento Armed Conflict Location & Event Data (Dados sobre localização e eventos de conflitos armados, em português).

Cabul, por sua vez, nega repetidamente permitir que militantes usem território afegão para lançar ataques contra o Paquistão.

O Talibã afegão afirma que o Paquistão abriga combatentes de seu inimigo, o Estado Islâmico, acusação que Islamabad nega.

Islamabad diz que o cessar-fogo não durou muito devido à continuidade dos ataques militantes no Paquistão vindos do Afeganistão, e houve confrontos e fechamentos repetidos da fronteira desde então, interrompendo o comércio e a circulação ao longo da fronteira montanhosa.

O que desencadeou os confrontos mais recentes?

Um dia antes dos ataques do último fim de semana, fontes de segurança paquistanesas disseram ter “provas irrefutáveis” de que militantes no Afeganistão estavam por trás de uma recente onda de ataques e atentados suicidas que tiveram como alvo militares e policiais paquistaneses.

As fontes listaram sete ataques planejados ou realizados por militantes desde o fim de 2024 que, segundo elas, tinham conexão com o Afeganistão.

Um ataque na semana passada que matou 11 agentes de segurança e dois civis no distrito de Bajaur foi realizado por um cidadão afegão, segundo fontes de segurança paquistanesas. O ataque foi reivindicado pelo TTP.

Quem são os talibãs paquistaneses?

O TTP foi formado em 2007 por vários grupos militantes ativos no noroeste do Paquistão.

O TTP já atacou mercados, mesquitas, aeroportos, bases militares e delegacias, e também conquistou território – principalmente ao longo da fronteira com o Afeganistão, mas também no interior do Paquistão, incluindo o Vale de Swat. O grupo foi responsável pelo ataque de 2012 contra a então estudante Malala Yousafzai, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz dois anos depois.

O grupo também lutou ao lado do Talibã afegão contra as forças lideradas pelos Estados Unidos no Afeganistão e abrigou combatentes afegãos no Paquistão. O Paquistão lançou operações militares contra o TTP em seu próprio território com sucesso limitado, embora uma ofensiva encerrada em 2016 tenha reduzido drasticamente os ataques até alguns anos depois.

O que pode acontecer agora?

Analistas afirmam que o Paquistão provavelmente intensificará sua campanha militar, enquanto a retaliação de Cabul pode ocorrer na forma de incursões contra postos de fronteira e mais ataques de guerrilha transfronteiriços contra forças de segurança.

No papel, há uma grande disparidade nas capacidades militares dos dois lados. Com cerca de 172 mil combatentes, o Talibã tem menos de um terço do efetivo do Paquistão.

O Talibã possui pelo menos seis aeronaves e 23 helicópteros, mas seu estado de conservação é desconhecido, e o grupo não dispõe de caças ou de uma força aérea efetiva.

As Forças Armadas do Paquistão contam com mais de 600 mil militares ativos, mais de 6 mil veículos blindados de combate e mais de 400 aeronaves de combate, segundo dados de 2025 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. O país também possui armas nucleares.

O TTP foi formado em 2007 por vários grupos militantes ativos no noroeste do Paquistão — Foto: REUTERS/Stringer/Foto de Arquivo

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