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Entenda o embate diplomático entre EUA e Espanha

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Em meio à escalada da guerra no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, uma crise diplomática emergiu entre Washington e a Espanha. Nesta terça-feira (3), o presidente Donald Trump ameaçou cortar todo o comércio com Madri depois que o governo socialista espanhol se recusou a autorizar o uso das bases de Morón e Rota, localizadas na região da Andaluzia, no sul do território Espanhol, para apoiar a operação militar americana em curso contra Teerã.

As duas instalações são consideradas estratégicas para operações dos EUA na Europa, no Mediterrâneo e no Oriente Médio, pois funcionam como pontos logísticos para reabastecimento aéreo, movimentação de tropas e apoio a missões militares no Norte da África e no Golfo Pérsico.

O governo espanhol decidiu nesta semana não permitir que as bases fossem utilizadas na ofensiva dos EUA contra o Irã por considerar que a operação militar no Oriente Médio “não está amparada pela Carta das Nações Unidas”. A decisão já iniciou uma forte crise diplomática entre os dois países, que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança ocidental.

Trump ameaçou aplicar embargos contra a Espanha durante encontro nesta terça, na Casa Branca, com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Na ocasião, o republicano disse que “poderia parar tudo relacionado com a Espanha”.

“Tenho o direito de parar. Embargos. Faço o que quiser com eles, e poderíamos fazer isso com a Espanha. Vamos cortar todo o comércio com a Espanha”, afirmou Trump.

O governo espanhol, por sua vez, respondeu afirmando que a decisão de não permitir o uso das bases pelos EUA é “uma escolha soberana”. O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, declarou que a Espanha considera que o caminho para a solução do caso do Irã deveria ser a “negociação”.

“O que deveríamos fazer é desescalar, sentar, negociar e buscar uma saída”, disse Puente em entrevista à emissora pública TVE.

A base naval de Rota, abriga navios da Marinha dos Estados Unidos e funciona como um dos principais centros de operações da frota americana no Mediterrâneo. Já a base aérea de Morón é utilizada regularmente por forças aéreas americanas como ponto de apoio para aeronaves de transporte estratégico e aviões-tanque, fundamentais para o reabastecimento de caças e bombardeiros em operações de longo alcance.

Nesta quarta-feira (4), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou em entrevista à emissora CNBC que a falta de cooperação espanhola na chamada operação em curso contra o Irã é “inaceitável”. Segundo ele, qualquer obstáculo logístico às operações militares dos EUA pode colocar soldados americanos em risco.

“Qualquer coisa que atrase nossa capacidade de conduzir essa guerra com rapidez e eficácia coloca vidas americanas em risco”, disse Bessent.

Divergências na aliança ocidental e impactos na União Europeia

Nesta terça, Trump criticou também o fato de a Espanha ser o único país da Otan que não se comprometeu a elevar os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB). Tal crítica não é nova, já que Trump pressiona a Espanha a aumentar seus gastos com defesa desde quando assumiu a presidência dos EUA, no ano passado. Durante o encontro na Casa Branca, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que está tentando convencer o governo socialista espanhol a aumentar esses investimentos, argumentando que o reforço militar é parte da segurança coletiva da aliança.

Apesar disso, Merz também indicou que eventuais medidas comerciais dos EUA contra a Espanha enfrentariam limites dentro da estrutura europeia. O chanceler lembrou Trump que acordos comerciais entre os EUA e países europeus são negociados com a União Europeia (UE) como um todo.

“A Espanha é parte da União Europeia e, quando negociamos um acordo sobre tarifas com os Estados Unidos, fazemos isso juntos ou não fazemos”, afirmou.

A Comissão Europeia – braço executivo da UE – reagiu nesta quarta às ameaças comerciais de Trump contra a Espanha. Conforme declarou o porta-voz de Comércio do bloco, Olof Gill, Bruxelas está pronta para proteger os interesses da União Europeia caso seja necessário. Segundo ele, a relação comercial entre europeus e americanos é “profundamente integrada e mutuamente benéfica”, e a Comissão “acompanhará qualquer medida que possa afetar os Estados-membros”, como a Espanha.

Macron sai em defesa dos espanhóis

A França manifestou nesta quarta apoio ao governo espanhol. Mais cedo, o presidente francês, Emmanuel Macron, entrou em contato com premiê socialista espanhol, Pedro Sánchez, para expressar “solidariedade europeia” diante das ameaças de Washington.

Em declaração após a ameaça de Trump, Sánchez afirmou que a postura de Madri diante do conflito pode ser resumida em três palavras: “não à guerra”. Segundo ele, a Espanha não será “cúmplice de algo ruim para o mundo apenas pelo medo de represálias”.

Casa Branca diz que houve acordo para cooperação militar; Espanha desmente

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a Espanha teria concordado em “cooperar” com as forças armadas dos Estados Unidos na operação militar contra o Irã. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Washington.

A informação, no entanto, foi negada pelo governo espanhol. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, desmentiu de forma “categórica” que Madri tenha chegado a qualquer acordo de cooperação militar com Washington.

“Desminto categoricamente. A posição do governo da Espanha sobre a guerra no Oriente Médio, os bombardeios no Irã e o uso das nossas bases não mudou uma vírgula”, afirmou Albares nesta tarde em entrevista a uma emissora de rádio.

Segundo Albares, não houve qualquer decisão no governo socialista espanhol que modifique a política adotada por Madri desde o início da ofensiva militar.

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