O Irã entrou nesta sexta-feira (2) no sexto dia consecutivo de protestos populares, desencadeados pelo agravamento da crise econômica e que evoluíram para demandas políticas diretas contra o regime islâmico, em um cenário marcado por repressão estatal, mortes e centenas de detenções.
Segundo a ONG iraniana de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos, ao menos sete pessoas morreram, 33 ficaram feridas e mais de 100 foram detidas desde o início das mobilizações, no último domingo (28). Os protestos começaram em Teerã, liderados por comerciantes e lojistas, e já se espalharam para cerca de 32 cidades do país islâmico.
Vídeos divulgados por ativistas nas redes sociais mostram que cidades como Zahedan, no sudeste do Irã, e Fuladshahr, no centro do país, registraram novas mobilizações nesta sexta-feira, com manifestantes entoando slogans como “morte ao ditador”.
O Irã tenta culpar a “interferência externa” pelos protestos. A narrativa oficial do regime islâmico diz que os Estados Unidos e Israel estão instigando as mobilizações em curso no país. Contudo, organizações de direitos humanos apontam que o estopim dos protestos está no colapso econômico do Irã. O rial iraniano – moeda oficial do país – atingiu níveis recordes de desvalorização no ano passado, enquanto a inflação anual supera 42%, com a inflação acumulada entre novembro e dezembro ultrapassando 52%. O encarecimento de alimentos, medicamentos e serviços básicos tem corroído a renda da população, inclusive da classe média urbana.
Além da crise econômica, o Irã enfrenta problemas estruturais paralelos, como escassez de água provocada por uma seca prolongada, crise energética e níveis críticos de poluição do ar. Esse acúmulo de dificuldades ampliou nos últimos meses o descontentamento social e tem contribuído para a intensificação dos protestos, ao mesmo tempo em que reduz a capacidade do regime de conter a pressão apenas por meio da repressão. Durante as manifestações dos últimos dias, as pautas também deixaram de ser exclusivamente econômicas e passaram a incorporar slogans de forte teor político, incluindo pedidos explícitos pelo fim do regime islâmico e pela restauração da monarquia.
Na cidade de Fuladshahr, moradores realizaram nesta sexta-feira o velório de um dos manifestantes mortos durante a repressão violenta aos protestos. Segundo organizações de direitos humanos e registros divulgados por ativistas, o manifestante foi atingido por disparos das forças de segurança durante as mobilizações ocorridas nesta semana. Autoridades iranianas disseram que as mortes ocorridas durante os protestos estariam ligadas a ações de “elementos violentos” e a supostos ataques contra instalações policiais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que Washington interviria no Irã caso o regime islâmico utilizasse força letal contra manifestantes pacíficos.
“Se o Irã disparar e matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos irão resgatá-los”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.
Por sua vez, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que qualquer “interferência” dos Estados Unidos em assuntos internos iranianos “desestabilizaria toda a região” e colocaria em risco os “interesses americanos”. Ele também alertou que Washington seria responsável por uma eventual “escalada” da violência.
Segundo a ONG Hrana, novas prisões de manifestantes foram registradas nas últimas horas em diferentes cidades do país. A organização afirma ainda que familiares de diversos detidos relatam não ter recebido informações oficiais sobre o paradeiro ou a situação jurídica dos presos.
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