A empresa de participações imobiliárias que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ter sido sócio junto dos irmãos foi criada a partir de um “CNPJ de prateleira” e tem um capital social de apenas R$ 150, o que contrasta com as transações milionárias realizadas para a compra e a venda de cotas em um resort de luxo no interior do Paraná.
Uma apuração do jornal Estadão publicada nesta sexta (13) aponta que a Maridt Participações surgiu a partir de uma estrutura já pronta, criada previamente por uma empresa especializada neste tipo de negócio, para reduzir burocracias, e transferida posteriormente aos irmãos do ministro. O modelo, segundo o empresário responsável pela operação, é comum entre quem busca rapidez e menos exigências no sistema bancário.
“Começar uma S.A (Sociedade Anônima) do zero é mais complicado do que se tiver uma pronta no mercado”, afirmou o advogado e empresário André Luis Fonseca Sérgio.
O ministro Dias Toffoli não comentou a nova apuração. O espaço segue aberto para manifestações.
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Segundo a apuração do Estadão, a empresa inicial chamada de Plataforma 27S Participações foi aberta em agosto de 2020 e transferida pouco mais de um mês depois para os irmãos de Toffoli – José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli. Em dezembro daquele ano, já com o nome Maridt, passou a integrar negócios ligados ao resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR), em que outra apuração aponta o ministro sendo tratado como dono pelos funcionários.
O registro oficial da transferência foi concluído em janeiro de 2021, consolidando a entrada da família no empreendimento. Meses depois, parte da participação foi vendida ao fundo Arllen, de propriedade do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
A outra parte da participação da Maridt no resort foi vendida em 2025 para o empresário Paulo Humberto Barbosa, da PHD Holdings, que chegou a atuar na defesa de causas tributárias da JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Apurações apontam uma transação de R$ 3,5 milhões entre a Maridt e a PHD.
Empreendimento milionário, capital modesto
Apesar das altas cifras do empreendimento milionário, a apuração do Estadão aponta que a Maridt manteve desde a origem um capital social simbólico de R$ 150. O valor, segundo o próprio André Sérgio, foi definido por ele no momento da abertura da empresa, antes da transferência aos novos donos.
“O maior trabalho é ir depositar 10% do capital social… às vezes o acionista não tem tempo para ir fazer isso”, disse.
A estrutura pronta elimina ainda a necessidade de comparecimento presencial em bancos, etapa considerada burocrática. “Não é tão longo… o problema é que tem que levar as pessoas lá”, acrescentou ao justificar o uso do modelo de empresas já constituídas.
Em nota emitida na véspera após a revelação das mensagens com Vorcaro, Toffoli confirmou a sociedade com os irmãos alegando que a legislação permite que magistrados sejam sócios e recebam dividendos, desde que não atuem na gestão. Ele não comentou diretamente o uso do CNPJ de prateleira nem os detalhes da abertura da empresa.
O nome do ministro não constava inicialmente nos registros públicos por se tratar de uma sociedade anônima, modalidade que permite maior sigilo sobre os acionistas. A gestão formal da empresa estava atribuída aos seus irmãos.
A empresa também teve participação em mais de um empreendimento do grupo Tayayá, na unidade da cidade de Porto Rico (PR), ao lado de outros investidores como o empresário e apresentador Carlos Massa, o Ratinho. A sede registrada da Maridt, no entanto, fica em uma casa simples na cidade de Marília, no interior do estado de São Paulo, onde a cunhada de Toffoli negou qualquer envolvimento com a empresa.
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