O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a realização de uma acareação entre o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o deputado José Rocha (União-BA), que denunciou a suposta destinação irregular de emendas parlamentares.
A decisão foi assinada no último dia 19 no âmbito do inquérito sigiloso que levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Transparência, em 12 de dezembro de 2025, contra a ex-assessora de Lira e servidora da Câmara, Mariangela Fialek, segundo apuração do portal g1.
Rocha presidiu a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. Ele relatou que, supostamente, era Lira quem indicava as emendas vinculadas à comissão, prática semelhante ao antigo “orçamento secreto”. A modalidade foi declarada inconstitucional pleo STF em 2022.
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No entanto, a Advocacia da Câmara dos Deputados informou ao STF, em 17 de dezembro, que a operação realizada pela PF havia se baseado em informações inverídicas, apontando que o próprio Rocha teria feito as indicações dos repasses.
Diante das versões contraditórias, Dino autorizou a realização da acareação. O ex-presidente da Câmara não é investigado no inquérito. Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de imprensa de Lira afirmou que o deputado não vai se manifestar sobre o caso.
Mais cedo, em um comunicado enviado ao portal g1, a equipe do parlamentar disse que ele soube da decisão de Dino pela imprensa e “está completamente à disposição para todos os esclarecimentos tidos como necessários e que se manifestará imediatamente nos autos do processo, nos termos legais”.
Em dezembro, a defesa de Mariangela afirmou, em nota, que ela “era responsável tecnicamente pela organização das emendas parlamentares, nos exatos termos do que decidido pela Presidência da Casa e por todos os líderes partidários indistintamente (Colégio de Líderes)”.
Na ocasião, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também defendeu a servidora, destacando que ela é “uma técnica competente, responsável e comprometida com a boa gestão da coisa pública”.
Motta disse ainda que a atuação de Mariangela “foi fundamental no aprimoramento dos sistemas de rastreabilidade da proposição, indicação e execução de emendas parlamentares”.
Além de Rocha, outros cinco parlamentares também foram ouvidos durante a investigação que resultou na Operação Transparência. São eles: os deputados Glauber Braga (PSOL-RJ), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP) e Dr. Francisco (PT-PI), e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).
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