“Não existem conversas com o governo dos EUA, salvo contatos técnicos no âmbito migratório”, escreveu Díaz-Canel em uma postagem no X. “Sempre tivemos disposição de manter um diálogo sério e responsável com distintos governos dos EUA, incluído o atual, com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do direito internacional e no benefício recíproco.”
Díaz-Canel ainda acrescentou que qualquer diálogo com a Casa Branca deve ocorrer “sem ingerência em assuntos internos” e com “pleno respeito à nossa independência”.
Ontem, Trump afirmou que seria melhor para Cuba firmar um acordo o quanto antes com os EUA, já que a ilha não receberá mais petróleo ou dinheiro da Venezuela após a queda de Nicolás Maduro, ex-ditador do país, capturado em ação militar americana no dia 3 de janeiro.
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Trump ainda sugeriu que o secretário de Estado, Marco Rubio, fosse o novo presidente de Cuba. Filho de cubanos que emigraram para os EUA nos anos 1950, antes da revolução liderada por Fidel Castro, Rubio nunca visitou o país.
O governo cubano informou que 32 de seus militares morreram na ação militar dos EUA que capturou Maduro. Membros das duas principais agências de segurança de Cuba estavam em Caracas como parte de um acordo entre os dois países. Em troca, a Venezuela vendia, com subsídios, parte do petróleo consumido pela ilha, que também era usado na geração de energia.
Cuba atravessa uma grave crise econômica causada pelos “shutdowns” durante a pandemia de covid-19 e pelas sanções dos EUA, que foram reforçadas por Trump em seu primeiro mandato na Casa Branca.
Segundo um relatório apresentado à ONU, Cuba perdeu US$ 7,5 bilhões de dólares desde fevereiro de 2024, um valor crucial para a ilha cujas receitas com turismo, no melhor momento da década passada, chegaram a US$ 3 bilhões anuais.
A crise também produziu uma onda migratória, sobretudo em direção aos EUA – onde os cubanos têm prerrogativas migratórias como exilados, que agora foram limitadas -, antes que o próprio Trump reforçasse o cerco a imigrantes no país.
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