A proposta de criação da CPI das Barricadas, apresentada pelo deputado Giovani Ratinho (Solidariedade), movimentou os bastidores da Alerj e abriu um debate direto sobre segurança pública, transparência e risco político. Embora o pedido tenha reunido 46 assinaturas, número suficiente para instalação, a proposta enfrenta forte resistência dentro do próprio Legislativo — principalmente do líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil).
Enquanto Ratinho defende que a CPI é necessária para investigar o avanço das barricadas erguidas por facções e milícias, setores do governo alegam que o instrumento pode comprometer operações em andamento, especialmente o programa Barricada Zero, hoje uma das vitrines da segurança no estado.
O RISCO DE VAZAMENTO DE INFORMAÇÕES
Nos corredores da Alerj, a principal preocupação é clara:
uma CPI amplia o acesso a documentos sigilosos, relatórios de inteligência e estratégias operacionais — e isso inevitavelmente aumenta o risco de vazamentos.
Ao contrário de uma investigação restrita aos órgãos de segurança, uma CPI coloca informações sensíveis nas mãos de deputados, assessores, consultores, advogados, servidores internos e terceirizados. Em um estado historicamente marcado pela infiltração de milícias e facções dentro do próprio aparato estatal, qualquer vazamento pode alertar criminosos, antecipar movimentos policiais e comprometer ações planejadas.
MERITI É A PROVA VIVA DO PERIGO
O cenário fica ainda mais sensível quando lembramos que São João de Meriti já viu dois vereadores presos em apenas 15 dias. As operações que levaram às prisões aconteceram de forma silenciosa, com inteligência preservada e sem qualquer vazamento.
Agora imagine se, naquele período, uma CPI estivesse em andamento e documentos estratégicos circulassem por gabinetes, comissões e bastidores políticos.
As prisões poderiam ter sido comprometidas.
Alvos poderiam ter fugido.
A rota da polícia poderia ter sido descoberta.
Em Meriti, onde o ambiente político está instável e investigações paralelas correm em várias frentes, a existência de uma CPI poderia ter mudado completamente o desfecho das operações.
A DISPUTA ENTRE TRANSPARÊNCIA E EFICÁCIA OPERACIONAL
Ratinho defende que a CPI traria luz às possíveis omissões e conivências que permitiram o crescimento das barricadas ao longo dos anos. Para ele, a CPI é uma ferramenta de controle e fiscalização, não de interferência.
Já o governo argumenta que a comissão, instalada no meio de uma operação ativa, pode:
- expor táticas da Polícia Civil e da PM,
- desacelerar ações em curso,
- criar desgaste político,
- e desviar equipes técnicas para responder a pedidos burocráticos.
O temor oficial é direto:
abrir detalhes de inteligência pode enfraquecer um dos programas de segurança mais elogiados pela população e politizar operações que dependem de sigilo absoluto.
GOVERNO X RATINHO: UM EMBATE ALÉM DAS ASSINATURAS
A liderança do governo articula para que deputados retirem assinaturas. O movimento mostra que a disputa não é apenas técnica — é uma batalha pela narrativa da segurança pública.
Ratinho, por sua vez, afirma que não recuará e que a CPI é essencial para entender como as barricadas cresceram tanto e quem falhou na prevenção.
O QUE A POPULAÇÃO DE MERITI PRECISA SABER
Em uma cidade onde o tema segurança pública faz parte da rotina da população, o impacto de uma CPI desse porte não é abstrato. Ele é real.
Se instalada, a comissão pode revelar responsabilidades e omissões, mas também pode atrasar operações que vêm dando resultados concretos em áreas dominadas por grupos criminosos.
A decisão final, que será discutida pelo colégio informal de líderes da Alerj, será determinante:
- CPI instalada → mais transparência, mais risco operacional.
- CPI barrada → continuidade das operações, menos fiscalização institucional.
É um dilema que coloca interesse público, política e segurança no mesmo tabuleiro.
📞 Jornal de Meriti
@jornaldemeriti – Aqui você fica por dentro de tudo.
WhatsApp da Redação: (21) 97914-2431
Canal oficial: https://whatsapp.com/channel/0029VbAsqN60VycDjfwktG3o

