No início desta semana, a divulgação de uma operação conjunta entre Estados Unidos e Colômbia chamou a atenção.
O governo americano informou que, numa ação realizada com o apoio das Forças Armadas colombianas, foi apreendido um submarino que transportava quase dez toneladas de cocaína e os quatro tripulantes foram presos.
A carga foi avaliada em US$ 441 milhões; o local exato da operação, que ocorreu em águas internacionais, não foi divulgado.
Embarcações submersíveis ou semissubmersíveis são utilizadas por narcotraficantes da América Latina desde pelo menos os anos 1980, mas nos últimos anos ganharam ainda mais importância para esses criminosos.
No ano passado, a plataforma de jornalismo investigativo InSight Crime, especializada em pesquisas sobre crime organizado latino-americano, divulgou um relatório que detalhou os principais tipos de narcossubmarinos.
Um deles é chamado pelas autoridades de Embarcação de Perfil Baixo (LPV, na sigla em inglês) e não se trata realmente de um submarino, já que não consegue submergir totalmente e fica com uma pequena parte visível acima da superfície da água.
Com motor a diesel ou gasolina e construídas com madeira e fibra de vidro, materiais difíceis de detectar por radar, as LPVs têm custo de construção estimado entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões e podem transportar de duas a oito toneladas de cocaína.
Uma segunda categoria é o chamado narcotorpedo, como são chamados contêineres subaquáticos rebocáveis, com capacidade de até cinco toneladas de cocaína e que são presos a navios por cabos de aço, para serem transportados a profundidades de até 30 metros.
Porém, segundo o InSight Crime, o topo de linha são as embarcações totalmente submersíveis (FSVs, na sigla em inglês), que ficam completamente submersas, podem transportar até dez toneladas de cocaína, não são detectadas por radar e possuem sistemas avançados de GPS e navegação.
Devido a essa sofisticação, seu custo de construção é bem mais alto, estimado em US$ 2 milhões a US$ 4 milhões.
Os narcossubmarinos são construídos em estaleiros clandestinos, a maioria deles localizados na costa do Oceano Pacífico da Colômbia, mas outros já foram identificados no litoral do Equador e na costa colombiana do Mar do Caribe.
Dispositivos para enganar autoridades e novas rotas
As autoridades tentam acompanhar a evolução desses veículos: no segundo semestre de 2024, órgãos de segurança de 62 países interceptaram seis embarcações semissubmersíveis carregadas de cocaína na Operação Orion, que durou seis semanas.
Entretanto, de acordo com o InSight Crime, os narcotraficantes estão sempre buscando formas de ficar à frente da lei.
Um exemplo citado no relatório é que, depois que as autoridades começaram a usar câmeras termográficas para detectar narcossubmarinos, os traficantes começaram a empregar dispositivos como escudos de chumbo e trocadores de calor projetados para mascarar o sinal térmico dos submersíveis.
Embora a maioria da “frota” seja utilizada para levar cocaína para os Estados Unidos e a Europa, o narcotráfico começa a diversificar essas rotas.
Em 2024, ocorreu a primeira apreensão de um narcossubmarino que tinha como destino a Oceania.
“Esta é uma nova rota que abriram para semissubmersíveis. A embarcação foi encontrada em um local remoto, a quase 4,8 mil km da costa colombiana, em direção à Austrália e Nova Zelândia”, disse o capitão Manuel Rodríguez, diretor da unidade antinarcóticos da Marinha colombiana, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
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