Um número recorde de 1.443 empresas listadas na China, de um total de cerca de 5,5 mil, deve ter registrado prejuízo líquido no ano encerrado em dezembro, segundo levantamento do “Nikkei Ásia”. O desempenho reflete o impacto prolongado da crise imobiliária sobre o consumo.
Com base em dados da Shanghai DZH, o Nikkei compilou projeções de resultados divulgadas por aproximadamente 2,9 mil companhias negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen.
O total de empresas no vermelho cresceu 6% em relação às 1.364 do exercício anterior. As 1.443 companhias com perdas representam 26% do universo listado — a maior proporção desde 2000.
Para efeito de comparação, na bolsa de Tóquio (segmento Prime), apenas 2% das empresas registraram prejuízo no período de abril a dezembro de 2025.
A fatia de companhias chinesas com perdas vem aumentando de forma constante desde 2020. Além das restrições ao crédito imobiliário, o governo de Xi Jinping tem priorizado o fortalecimento da indústria e da produção tecnológica, em detrimento de estímulos ao consumo — e não há sinais claros de mudança nessa estratégia.
O setor imobiliário segue pressionado. A incorporadora China Vanke registrou prejuízo de 82 bilhões de yuans (cerca de US$ 12 bilhões). Entre 100 empresas do ramo listadas em bolsa, 58 devem ter fechado o ano no vermelho. Com os preços ainda em queda, a recuperação parece distante.
Segmentos ligados ao consumo também sofreram. A rede de móveis Red Star Macalline reportou perda próxima de 20 bilhões de yuans, impactada por baixas contábeis em shopping centers. A rede de supermercados Yonghui Superstores teve prejuízo superior a 2 bilhões de yuans, devido a custos extraordinários com o fechamento de 380 lojas. A varejista de snacks Shanghai Lyfen e a Xi’an Tourism também registraram desempenho fraco.
Na tentativa de impulsionar a atividade, o governo estendeu o feriado do Ano Novo Lunar para nove dias — um a mais que no ano anterior. Considerando os dias ao redor da data, eram esperadas 9,5 bilhões de viagens no período.
Ainda assim, com a renda avançando lentamente, os consumidores seguem cautelosos, e muitos analistas avaliam que a medida terá efeito limitado sobre a economia.
Na indústria de energia solar, a sobreoferta continua pesando. As fabricantes de painéis Longi Green Energy Technology e JinkoSolar reportaram prejuízos em torno de 6 bilhões de yuans cada. A política de incentivo às renováveis tem retardado o fechamento de unidades, mesmo diante do excesso de capacidade.
O setor automotivo enfrenta competição intensa, ampliando disparidades entre empresas. O GAC Group teve prejuízo, enquanto o lucro da SAIC Motor cresceu cerca de seis vezes, para aproximadamente 10 bilhões de yuans. A BYD, líder em veículos elétricos, não divulgou projeção de resultados.
Em contraste, semicondutores e terras raras registram forte desempenho. A fabricante de equipamentos para chips Advanced Micro-Fabrication Equipment elevou o lucro líquido em 30%, superando 2 bilhões de yuans. A desenvolvedora de chips de inteligência artificial Cambricon Technologies voltou ao azul, e a Moore Threads reduziu seu prejuízo em 40%.
No setor de terras raras, a China North Rare Earth (Group) High-Tech teve lucro de pelo menos 2,1 bilhões de yuans, alta de 120%, impulsionada pela valorização internacional dos preços após restrições chinesas às exportações.
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