Início Brasil Centrão pode ter pressionado ministro do TCU para reverter liquidação do Master

Centrão pode ter pressionado ministro do TCU para reverter liquidação do Master

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, afirmou que o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), teria sido pressionado pelo centrão para reverter a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. Ele se encontrou com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, na tarde desta quarta (11) em meio ao avanço das investigações sobre o caso.

Segundo Renan, há um “clima de constrangimento” dentro do TCU envolvendo a conduta de Jhonatan de Jesus sobre o caso. O ministro decretou sigilo absoluto no relatório da análise técnica feita pela Corte nos documentos que embasaram a liquidação do Master. Ele ainda restringiu o acesso da própria autarquia à análise e demais apurações.

“O centrão chantageou o ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação do Banco Central. Ele hoje decretou sigilo das informações para o Banco Central e para os próprios ministros do Tribunal de Contas da União”, declarou o senador a jornalistas após a reunião com Fachin.

Renan Calheiros afirmou que o próprio ministro Fachin concordou com as críticas da comissão ao sigilo do inquérito. “O presidente não apenas concordou, como exaltou essa diretriz”, afirmou.

  • Chefe da PF diz que STF “saberá analisar” conversas entre Toffoli e Vorcaro

Em uma nota oficial divulgada pouco depois, Jhonatan de Jesus afirmou que a classificação do processo foi alterada de “sigiloso” para “sigiloso com exigência de autorização específica de leitura” para evitar vazamentos, inclusive de informações já protegidas pelo próprio Banco Central.

“Tal procedimento não é inédito, pois já foi aplicado em outros processos no TCU. A solicitação foi deferida pelo relator do processo e contou com a ciência do Banco Central. O TCU esclarece que o Banco Central terá acesso a todas as peças processuais sempre que necessário, não havendo qualquer prejuízo ao órgão jurisdicionado”, informou.

Paralelamente, Renan Calheiros criou um grupo de trabalho dentro da CAE para acompanhar as investigações sobre o Banco Master. Embora declare apoio à criação de uma CPI, o senador afirma que o grupo já atua de forma permanente e aprovou 19 requerimentos de informações e convites para depoimentos, entre eles o do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu ex-sócio Augusto Lima, que poderão ser ouvidos nas primeiras oitivas.

Antes da reunião com Fachin, o grupo também esteve com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a quem entregou convite para prestar esclarecimentos. Segundo Renan, o encontro também serviu para reforçar apoio às investigações da PF, que estariam sofrendo pressões.

“Não é fácil, essa gente tinha ramificações em todos os poderes da República e isso precisa ser investigado”, pontuou.

O grupo solicitou acesso a operações ligadas ao caso, como a Compliance Zero (que levou Vorcaro à prisão) e a Carbono Oculto (que investiga a atuação do PCC no mercado de combustíveis), que apura possíveis conexões entre crime organizado e fundos de investimento. Também foram pedidos dados de investigações em andamento nos estados – entre eles o Rio de Janeiro e o Amapá, que tiveram operações recentes.

“Ao fim e ao cabo, nosso papel é fazer o aprimoramento da regulação, da fiscalização, compreender o papel da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], o que a CVM significou nesse processo como um todo”, declarou.

Uma das propostas em estudo é ampliar o poder de fiscalização do Banco Central para que também alcance fundos de investimento, hoje sob responsabilidade da CVM.

@jornaldemeriti – Aqui você fica por dentro de tudo.
Fala com a gente no WhatsApp: (21) 97914-2431

Sair da versão mobile