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Brasil pode aderir à onda da direita na AL puxada pela segurança

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A recente eleição de José Antonio Kast para a Presidência do Chile consolidou uma nova inflexão política na América Latina, marcada pelo avanço de forças de direita impulsionadas pelo desgaste da esquerda e pela crescente centralidade da pauta da segurança pública.

O movimento ocorre em sintonia com o governo de Donald Trump nos Estados Unidos e com a expressiva indignação popular com o crime organizado, a violência urbana e a instabilidade econômica, fatores que vêm redefinindo o humor do eleitorado na região e animando lideranças conservadoras brasileiras.

Segundo Márcio Coimbra, diretor-geral do Instituto Monitor da Democracia, “é inegável a revitalização das forças de direita na América do Sul”, impulsionada pela busca por alternativas diante de desafios sociais e econômicos persistentes. Para ele, a segurança pública tornou-se um pilar central desse avanço. “Os eleitores valorizam propostas que prometem enfrentamento direto e eficaz à criminalidade organizada e comum, um tema com forte capacidade de mobilização eleitoral”, afirma.

Coimbra avalia que, no Brasil, a segurança já demonstrou elevado potencial de impacto nas urnas, o que sugere a possibilidade de repetição, em 2026, do movimento observado em outros países. “A ascensão de visões conservadoras deve ser lida como parte de um reequilíbrio ideológico que pode fortalecer a competição política”, diz.

O retorno de um presidente de direita ao Palácio de La Moneda, no Chile, após anos de governos esquerdistas, reforça a leitura de especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo sobre uma onda conservadora já observada recentemente em países como Argentina e Bolívia. Kast tomará posse em março, sucedendo o esquerdista Gabriel Boric, em um contexto de forte polarização e de cobrança social por respostas mais duras à criminalidade e à desordem institucional.

O mapa político latino-americano, contudo, segue marcado por contrastes. Brasil, Uruguai e Colômbia migraram nos últimos anos da direita para a esquerda, enquanto países do entorno indicam movimento o inverso. Ao mesmo tempo, regimes longevos de esquerda, como Venezuela, Cuba e Nicarágua, seguem no formato autoritário, acumulando condenações internacionais por violações sistemáticas de direitos humanos.

Nesse cenário, os Estados Unidos elevaram significativamente a pressão sobre o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Nos últimos dias, Trump anunciou o bloqueio total a petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela e reforçou a presença militar no Caribe, dentro de uma estratégia de isolamento político e econômico associada ao discurso de combate ao narcotráfico e aos cartéis de drogas.

A escalada ganhou respaldo explícito de líderes de direita da região, como o presidente argentino Javier Milei e o recém-eleito chileno José Antonio Kast, que declarou apoio a “qualquer situação que acabe com a ditadura” venezuelana. O alinhamento deles evidencia uma coordenação regional mais assertiva contra Maduro e outros governos de esquerda, ampliando o isolamento diplomático de Caracas.

Especialista vê a frustração como fator favorável ao avanço da direita no Brasil

Eduardo Galvão, diretor de relações públicas da consultoria Burson, destaca que o voto na América Latina tem sido cada vez mais orientado pela frustração concreta do que por alinhamentos ideológicos. “O eleitor reage à incapacidade dos governos de entregar resultados em áreas sensíveis como inflação, crescimento, segurança e serviços públicos. A alternância passa a funcionar como punição, não como escolha programática”, avalia.

Esse processo é acelerado por uma sociedade hiperconectada, na qual redes sociais comprimem o tempo político e praticamente eliminam a antiga “lua de mel” dos governos. Crises, erros e decisões impopulares ganham escala imediata, intensificando a percepção de fracasso. “O resultado é um pêndulo político mais rápido e instável, que dificulta a consolidação de ciclos longos, seja à direita, seja à esquerda”, acrescenta.

Para Galvão, o Brasil está inserido nesse mesmo ambiente de impaciência social e julgamento permanente, mas o desfecho eleitoral dependerá menos do vento ideológico regional e mais da capacidade interna de entrega. “Se houver crescimento, emprego e previsibilidade econômica, a pressão por mudança tende a arrefecer. Se as frustrações se acumularem, o país pode reproduzir o padrão latino-americano recente, de alternâncias rápidas e eleitorado cada vez mais volátil”, conclui.

Puxada por Chile e Argentina, América Latina descreve tendência conservadora

Além da Argentina — onde Milei consolidou uma direita de viés libertário — e do Chile, a América do Sul abriga hoje uma série de governos identificados com a direita ou o centro-direita. Na Bolívia, Rodrigo Paz rompeu quase duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS). Peru e Equador também passaram por processos parecidos de alternância, reforçando a percepção de ruína de experiências esquerdistas.

Na outra ponta, países como México e República Dominicana mantêm lideranças de esquerda ou centro-esquerda, enquanto Honduras e Guatemala apresentam disputas mais equilibradas entre campos opostos. Ainda assim, o avanço conservador reacendeu expectativas de que novas guinadas à direita ocorram nas próximas eleições da região.

A ascensão dessas forças — hoje à frente de ao menos seis governos sul-americanos: Chile, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador e Peru — é interpretada por analistas como resposta direta ao cansaço popular com promessas não cumpridas, baixo crescimento econômico e insegurança crescente. Do lado oposto, o Brasil governado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desponta como a maior trincheira da esquerda latino-americana.

A chamada “maré rosa”, que dominou o continente no início dos anos 2000, passa por uma revisão crítica diante da atual guinada à direita. Analistas apontam sinais de esgotamento de projetos progressistas e abertura de espaço para líderes que defendem economia de mercado e enfrentamento rigoroso da criminalidade — agendas que encontram eco em parcelas expressivas da sociedade.

Para o Brasil, a expectativa é que a eleição presidencial de 2026 funcione menos como uma disputa convencional entre candidatos e mais como um referendo sobre rumos ideológicos: a continuidade de políticas progressistas e de esquerda ou a adoção de um caminho mais conservador e de direita, à semelhança do observado em países vizinhos.

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