O Brasil pretende apresentar sua posição contrária ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, marcada para esta segunda-feira (5). O discurso será feito pelo embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Sergio Danese, que pedirá a palavra com base no regimento da ONU, que permite a manifestação de países não integrantes do colegiado. Na fala, o Brasil deve reforçar sua defesa do direito internacional, da soberania dos Estados e sua oposição a qualquer tipo de violação territorial.
No Conselho de Segurança, diplomatas brasileiros avaliam que o debate deve se concentrar na legalidade da ação militar e nos impactos humanitários, bem como na situação da Venezuela após os ataques.
Embora o Brasil não integre atualmente o Conselho, a participação do país é vista como relevante por sua tradição diplomática de defesa do multilateralismo e da solução pacífica de controvérsias.
O encontro é considerado um espaço-chave para registrar posições oficiais e pressionar por esforços diplomáticos que evitem a ampliação do conflito.
A reunião ocorre após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela no último fim de semana e um dia depois de uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que discutiu os desdobramentos da crise – mas que não teve uma posição conjunta única dos países do grupo.
No sábado e no domingo, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, manteve conversas com seus homólogos do Chile, México, França, Espanha e Uruguai, bem como com a representante da União Europeia para Política Externa. Foi um esforço de articulação diplomática para discutir posições e defender uma resposta baseada no diálogo.
Em nota oficial divulgada no sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques e afirmou que os bombardeios e a captura de Nicolás Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável” e abrem um “precedente extremamente perigoso” para as relações internacionais.
O Brasil assinou, ao lado de Colômbia, Chile, Espanha, México e Uruguai, um comunicado conjunto expressando “profunda preocupação” com a situação na Venezuela e condenando os ataques norte-americanos.
No comunicado, divulgado no domingo (4), os países demonstraram preocupação diante de qualquer tentativa de controle ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, numa crítica à fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que levaria petroleiras norte-americanas para controlar o petróleo na Venezuela.
Segundo uma fonte da diplomacia brasileira, os países signatários foram também articuladores do Acordo de Barbados, que tinha como objetivo garantir a realização das eleições na Venezuela em 2024, e portanto conhecem e acompanham de perto a situação no país caribenho há algum tempo.
O Brasil entende que, nesse momento, o que cabia era uma manifestação coletiva de países que tem preocupações semelhantes, segundo uma fonte da diplomacia brasileira. Se houver o interesse de mais países, novas manifestações podem ser divulgadas, mas isso ainda não está sendo estudado.
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