Autoridades de bancos centrais de todo o mundo estão trabalhando em uma declaração para demonstrar solidariedade ao presidente Jerome Powell, após o governo Trump intensificar drasticamente sua campanha de pressão contra o Federal Reserve, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.
Espera-se que o comunicado conjunto seja emitido sob a chancela do Banco de Compensações Internacionais (BIS) e estará aberto à assinatura de todos os bancos centrais, disse a fonte, que pediu anonimato. A declaração pode ser publicada já nesta terça-feira, enquanto os chefes monetários ajustam o texto devido às diferenças de fusos horários. O BIS não comentou imediatamente ao ser contatado pela Bloomberg.
O Fed recebeu intimações de um grande júri do Departamento de Justiça ameaçando um indiciamento criminal — uma ação que Powell afirmou estar relacionada ao seu depoimento no Congresso em junho sobre as reformas na sede do Fed. Em uma rara reação, ele disse que a medida “deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, afirmou Powell em um comunicado por escrito e em vídeo divulgado na noite de domingo.
A ameaça sem precedentes de ação judicial acentuou as preocupações de que a pressão política possa enfraquecer a independência do banco central, gerando riscos de longo prazo de que a política monetária seja limitada por imperativos políticos em vez de objetivos de inflação e crescimento. O Fed e o dólar americano são âncoras do sistema financeiro global, o que significa que pressões retóricas — e muito mais ameaças de ação judicial — possuem relevância mundial. O governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, emitiu um comunicado na segunda-feira oferecendo seu “apoio total” a Powell, afirmando que ele “reflete o que há de melhor no serviço público”.
“O presidente Powell está fazendo um trabalho muito bom sob circunstâncias difíceis, guiando o Fed para tomar decisões de política monetária baseadas em evidências, não em política”, disse Macklem em um comunicado enviado por e-mail à Bloomberg. Outros chefes de bancos centrais — incluindo a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde — têm destacado repetidamente a importância da independência da política monetária e defendido e elogiado Powell.
O presidente Donald Trump tem pedido repetidamente cortes agressivos nas taxas de juros, argumentando que o Fed deveria estar agindo para aumentar a acessibilidade à habitação e reduzir os custos de empréstimos do governo. Em uma entrevista à NBC News no domingo, Trump negou ter qualquer conhecimento da investigação do Departamento de Justiça (DOJ) sobre o banco central. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse aos jornalistas na segunda-feira que o presidente não ordenou a investigação e defendeu o direito dele de criticar o banco central.
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