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Acordo feito por Wagner e reação de Gleisi deveriam ter sido discutidos com o governo, diz Randolfe | Política

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O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que tanto a decisão do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), quanto a manifestação da ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffman, criticando Wagner pela construção de um acordo que possibilitou a votação do PL da dosimetria tinham que ter sido melhor discutidos. Randolfe também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou sabendo do “acordo de procedimento” só durante a votação do texto no plenário, já no início da noite.

A aprovação do PL da dosimetria neste ano só foi possível porque o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), encurtou para quatro horas o pedido de vista para o projeto, suspendendo a tramitação por menos de um dia. Isso aconteceu após Jaques Wagner acordar com os senadores da oposição que a base do governo deixaria que a proposta que diminui as penas dos condenados pelo 8 de janeiro ser deliberada no plenário em troca da votação da matéria que garante receita para o Executivo fechar o Orçamento.

Mesmo com esse acordo, tanto o Planalto quanto o PT se posicionaram e votaram contra a proposta, mas foram derrotados. Após a repercussão da articulação de Jaques, ele destacou que o acordo foi uma decisão unicamente sua, e não foi debatida com Gleisi ou Lula.

Ao Valor, Randolfe defendeu que deveria ter havido discussão sobre qualquer tipo de negociação com a oposição. “Eu não quero ser mais um a fazer a crucificação pública de Jaques Wagner. Nós estamos a uma semana do Natal, então, é para celebrar nascimento, não crucificação. O Wagner poderia ter debatido qualquer procedimento sobre isso [PL da dosimetria]”.

Ao mesmo tempo, o líder do governo no Congresso avaliou que a manifestação de Gleisi sobre o assunto, feita por meio de uma publicação na qual chamou de “erro lamentável” a condução da negociação pela liderança do governo no Senado, tinha que ter sido discutida com a coordenação política.

“Eu não sei se eu estivesse no lugar, se eu faria alguma manifestação desse tipo. E eu acho que a manifestação dela foi uma manifestação que, em última análise, também tinha que ser discutida com a coordenação política e tinha que ter uma decisão dela para manifestar”, ponderou Randolfe, que não considerou casuísta a ministra ter feito a publicação somente após a finalização da votação de um projeto de lei de interesse do Executivo.

Randolfe também contou um bastidor da votação do PL da dosimetria em que o presidente da República, sem saber do acordo, ligou para ele para entender o que estava acontecendo. Foi nesse momento que o senador contou a Lula sobre o acordo de procedimento feito por Jaques.

“O acordo foi feito sem diálogo. A coordenação política não tinha conhecimento. O presidente da República não tinha conhecimento. Aliás, o presidente Lula me ligou durante a votação, lá no plenário do Senado, para perguntar o que estava acontecendo e perguntar o que tinha ocorrido, qual era o [acordo de] procedimento”, disse o líder do governo amapaense, que é próximo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

“Foi quando eu reportei detalhadamente ao presidente o que tinha ocorrido na CCJ e o que estava ocorrendo no plenário, a reação de alguns membros da base, sobretudo, do senador Renan Careiros, em relação ao líder Jaques Wagner. Então, o próprio presidente da República foi brifado de tudo o que estava acontecendo às seis e meia, sete horas da noite. Ele reiterou para mim, que queria vetar [o PL da dosimetria] e que não deu autorização para ser feito qualquer tipo de acordo, em nome do que quer que fosse”, continuou.

O amapaense ainda acredita que o rompimento de Wagner com Alcolumbre — por conta da escolha do Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) — influenciou que o líder do governo no Senado fizesse um acordo com a oposição.

“Certamente [o rompimento dos dois teve impacto]. Eu acho que teve um diálogo aí com a oposição. Acho que esse diálogo poderia ter sido [feito] com o presidente [Davi Alcolumbre]”, avaliou Randolfe.

Naquela mesma manhã, os petistas baiano e amapaense se encontraram na reunião ministerial promovida por Lula e discutiram sobre o tema. “Durante a reunião ministerial, o Wagner me perguntou sobre a dosimetria. Eu disse para ele: Wagner, vamos para cima, vamos tentar pedir vista, vamos postergar esse debate. Não tem acordo com a nossa base social sobre isso. O Wagner disse: é, mas eles estão ameaçando se nós não votarmos a dosimetria, eles também vão exigir o mesmo tratamento para o outro PL [dos benefícios tributários]”, relatou Randolfe.

“Eu disse: Tiveram manifestações no final de semana [contra o PL da dosimetria]. Eu acho muito ruim nós fazermos qualquer tipo de acordo”, finalizou.

Procurados pelo Valor, Gleisi e Jaques Wagner não se manifestaram.

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