Início Brasil Ação popular tenta barrar desfile no carnaval com samba do Lula

Ação popular tenta barrar desfile no carnaval com samba do Lula

Uma ação popular protocolada na 8ª Vara Federal Cível do Distrito Federal (DF) tenta impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026 no Rio de Janeiro. A agremiação homenageará o presidente Lula, a poucos meses da disputa à reeleição, e o tema é acusado de fazer propaganda eleitoral antecipada.

Movida pelo senador Bruno Bonetti (PL-RJ) e o deputado estadual do Rio Anderson de Moraes (PL-RJ), a ação alega “desvio de finalidade” em repasse de verbas federais para a agremiação, que levará à avenida um enredo que lembra o número de Lula na urna, entre outros símbolos de sua campanha eleitoral.

Os autores da ação argumentam que a utilização de recursos públicos para promover a figura de um pré-candidato à reeleição em ano eleitoral configura ato de “improbidade administrativa” e viola os “princípios da moralidade e impessoalidade”. Segundo o senador, se não for deferido o pedido de impedir a escola de desfilar, a ação pede que pelo menos o desfile não seja transmitido pela TV.

Promoção pessoal de político

O termo de colaboração firmado entre a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), prevê o repasse de R$ 12 milhões (com R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial) com o objetivo oficial de promover o Brasil como destino turístico internacional.

Para os autores, porém, há uma “inequívoca dissociação entre a finalidade declarada e a finalidade efetivamente realizada”, uma vez que o fomento estaria potencializando a promoção pessoal de um agente político. A Acadêmicos de NIteroi não tem comentado o tema e não respondeu aos pedidos de contato da Gazeta do Povo. O espaço segue aberto para considerações.

Ideia legislativa pretende impedir dinheiro público no futuro

Paralelamente à ação, o senador Bonetti protocolou na segunda-feira (9) o Projeto de Lei (PL) 392/2026, que proíbe expressamente usar recursos públicos federais em eventos culturais e desfiles carnavalescos que promovam a “exaltação personalizada” de autoridades e agentes públicos que ainda estejam no exercício do mandato.

O projeto de lei estabelece que repasses da União a escolas de samba, agremiações carnavalescas e entidades culturais deverão “obedecer rigorosamente aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade administrativa e da finalidade pública”. Pela iniciativa, ficaria vedado o financiamento de projetos que promovam elogios a governantes, caracterizem promoção pessoal ou funcionem como propaganda político-eleitoral, ainda que de forma indireta.

Mau uso “escancarado”

Bonetti afirma que o desfile é “escancarado” uso de dinheiro público para promoção do governo. “Estamos assistindo à tentativa de transformar a maior festa popular do país em palanque eleitoral. Isso é inaceitável. Verba pública não existe para glorificar governantes nem para bancar culto à personalidade”, afirmou.

Após técnicos recomendarem a suspensão do repasse à escola, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, decidiu na semana passada manter o repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman (PT-PR), tem falado com regularidade do caso e defendido a escola. Nesta terça-feira, Gleisi provocou parlamentares da oposição cantando trechos da música no Congresso Nacional.

“É isso o que a gente tem que fazer mesmo, comemorar com alegria este carnaval, sem falsos mitos e sem anistia, viva o PT!”, disse no plenário da casa.

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