Um ex-sócio e ex-administrador do grupo Fictor, que liderou um suposto grupo de investidores árabes que queria comprar o Banco Master, não foi capaz de demonstrar capacidade patrimonial para adquirir, meses antes, uma instituição financeira de menor porte, o banco Porto Real.
A tentativa de compra já havia sito noticiada pelo Valor. Até agora, não se sabia era o motivo da negativa, ligada às dificuldades para mobilizar o capital em volume suficiente para lastrear o banco.
A proposta de compra do Banco Porto Real foi formalmente apresentada pelo ex-sócio da Fictor, Luiz Phillippe Gomes Rubini. Seu relacionamento exato com a Fictor no momento da proposta não está completamente esclarecido, já que um fato relevante publicado pela Fictor Alimentos diz que ele renunciou ao conselho de administração dessa companhia apenas em 28 de outubro de 2025.
Outro vinculo estabelecido com a Fictor é que, segundo a proposta apresentada ao Banco Central, os recursos que seriam utilizados para a integralização de capital estavam investidos no Fundo Fictor Agro.
O Valor apurou que, no processo de análise da aquisição do Porto Real, as áreas técnicas do Banco Central encontraram dois problemas. Primeiro, o pretendente comprador não conseguiu integralizar recursos financeiros em volume suficiente para assegurar os níveis mínimos de capital exigidos pela legislação para manter a instituição bancária em operação.
Segundo problema: os técnicos do Banco Central colocaram objeções relativas à opacidade da origem da parcela de capital, considerada insuficiente, que os pretensos compradores pretendiam integralizar.
Fontes com conhecimento do assunto dizem que, ao seguir o caminho para determinar a origem dos recursos, os técnicos do BC se depararam com uma estrutura complexa, com empréstimos entre partes ligadas e várias camadas de investimentos — algumas envolvendo fundos — que não permitiam conferir de forma cristalina quem eram os donos dos recursos.
A origem dos recursos informada por Rubini eram a venda de participações que ele tinha em empresas do grupo Fictor, mas, de novo, a complexidade dessas operações dificultou determinar quem de fato assumiria o banco.
Essa análise do pedido de compra do Banco Porto Real por Rubini é um processo anterior e separado da tentativa de venda do Banco Master para um consórcio liderado pela Fictor. Este foi apresentada de última hora pelo controlador do banco liquidado, Daniel Vorcaro, em 17 de novembro, quando já estavam sendo decididos na Justiça os pedidos de medidas cautelares em função das supostas fraudes na venda de carteiras de crédito fictícias para o Banco de Brasília (BRB).
Ocorrida meses antes, a negativa da compra do Banco Porto Real pela Fictor foi analisada pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, então chefiado pelo economista Renato Gomes, cujo mandato terminou em 31 de dezembro de 2025.
O assunto ganhou visibilidade agora, quando o BC passou a fornecer informações a autoridades, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que apuram se não teria havido uma suposta precipitação na decretação da liquidação do Master, em 18 de novembro.
No exame da proposta feita por Rubini, o Banco Central por várias vezes teve contato com operações que envolviam de uma forma ou outra a Fictor — que, portanto, não era uma completa desconhecida para a autoridade monetária no momento da apresentação da proposta relativa ao Banco Master.
Procurado pelo Valor, a Fictor não comentou o assunto. A defesa de Vorcaro, controlador do Master, disse que é incorreto supor que não havia capacidade financeira ou que pairavam dúvidas sobre a origem dos recursos previstos para a operação com a Fictor.
“A proposta apresentada ao Banco Central continha investidores com capacidade econômica comprovada e documentação compatível com as exigências regulatórias. Não houve análise da proposta”, disse a defesa de Vorcaro, por meio de nota. “Reiteramos que o Master vinha trabalhando com diferentes caminhos de solução, todos privados e plenamente capazes de cobrir integralmente os passivos da instituição e permanece colaborando com as autoridades competentes na reconstrução dos fatos.”
@jornaldemeriti – Aqui você fica por dentro de tudo.
Fala com a gente no WhatsApp: (21) 97914-2431

