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Maduro tenta convencer Trump de que combate o narcotráfico

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Desesperado com a operação militar dos Estados Unidos contra o narcotráfico no Mar do Caribe (que já se espraiou para o Oceano Pacífico) e com a possibilidade de ações da CIA e por terra na Venezuela, o ditador Nicolás Maduro está recorrendo a duas estratégias.

A primeira, típica do chavismo, é a bravata. A segunda é mais inusitada: Maduro está tentando convencer o presidente americano, Donald Trump, de que não está envolvido com o tráfico de drogas (apesar das provas abundantes) e de que seu regime está fazendo de tudo para combater esse tipo de crime.

Em agosto, quando a operação americana ainda não havia começado, mas já havia sido anunciada, o regime chavista enviou 15 mil militares para a fronteira com a Colômbia.

Na ocasião, o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, que tem contra si uma oferta de recompensa dos Estados Unidos de US$ 25 milhões por informações que levem à sua captura e condenação, disse que a operação tinha o objetivo de combater o tráfico de drogas e que seriam utilizados drones, barcos, aeronaves e outros veículos na região.

“Apreendemos uma quantidade extraordinária de drogas este ano, uma quantidade que supera qualquer estimativa. Eles [americanos] sabem disso internamente, qualquer um que tente traficar drogas pela Venezuela sabe que enfrentará uma resposta contundente. A Venezuela não será um território para o narcotráfico”, afirmou Cabello, que alegou que o governo apreende mais de 70% das drogas que passam pelo território venezuelano.

Em setembro, Maduro, por quem os Estados Unidos elevaram este ano para US$ 50 milhões o valor que oferecem por informações que levem à sua prisão e condenação devido a acusações de liderar o Cartel de Los Soles, aumentou para 25 mil soldados o contingente enviado para as fronteiras venezuelanas.

De acordo com informações do jornal El País, na ocasião, o regime chavista disse que visava “comprovar a não existência de cultivos ilícitos” na Venezuela e “bloquear a área de potencial tráfico de drogas”.

“Ninguém virá fazer o nosso trabalho por nós. Ninguém pisará nesta terra para fazer o que devemos fazer”, afirmou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López.

Em carta, Maduro pediu diálogo com Trump

Também em setembro, Maduro enviou uma carta a Trump na qual pediu o apaziguamento das tensões entre os dois países e reafirmou a alegação de que seu regime não está ligado ao tráfico de drogas.

“Este é o caso mais flagrante de desinformação contra a nossa nação, com o objetivo de justificar uma escalada para um conflito armado que infligiria danos catastróficos a todo o continente”, escreveu Maduro. O ditador também ofereceu “ajuda” a Trump para prender líderes da gangue venezuelana Tren de Aragua.

Em outubro, quando a operação militar americana já havia bombardeado várias embarcações supostamente transportando drogas perto da costa da Venezuela, a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) intensificou a divulgação de supostas interceptações de aeronaves e destruição de pistas de pouso clandestinas do narcotráfico.

Esta semana, após a “neutralização” de três aeronaves em duas áreas próximas à Colômbia, Padrino López argumentou que o número de aviões atingidos em 2025 pelas forças venezuelanas chegou a 20, “absolutamente todas” para “fins de narcotráfico”, alegou.

Por ora, tal “esforço” não tem comovido Trump: além do presidente ter anunciado a autorização para que a CIA realize operações “letais” na Venezuela e que cogita operações por terra no país sul-americano, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em setembro que a carta de Maduro estava cheia de mentiras e que as tentativas de comunicação do chavismo não mudam a posição dos Estados Unidos diante do regime venezuelano.

A porta-voz lembrou que Washington considera “o regime de Maduro ilegítimo, e o presidente Trump demonstrou claramente sua disposição de usar todos os meios necessários para deter o tráfico ilegal de drogas letais do regime venezuelano para os Estados Unidos”.

Outra sinalização negativa para o chavismo é que, em outubro, Trump ordenou o fim das negociações lideradas pelo enviado especial Richard Grenell com o regime de Maduro.

Para continuar no poder, o ditador precisará tentar outras alternativas – a do convencimento, por enquanto, só está produzindo fracassos.

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