O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que irmão do ministro Dias Toffoli não são obrigados a comparecer à CPI do crime organizado. No entendimento do magistrado, os familiares foram convocados como investigados e, nessa condição, podem ficar em silêncio ou deixar de ir à sessão.
Na sessão dessa quarta-feira (25), o colegiado aprovou as convocações de José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações, ligada à família.
Mendonça citou precedentes do STF que impedem a condução coercitiva de investigados para interrogatórios. De acordo com ele, é “direito de um investigado” comparecer ou não a depoimentos. A decisão atende a pedidos da defesa dos irmãos de Toffoli.
“Estando patente a objeção da defesa dos requerentes, defiro o pleito formulado na petição, para afastar a obrigatoriedade de comparecimento, transmudando-a em facultatividade, deixando a cargo dos requerentes a decisão de comparecer, ou não, à CPI”, disse o ministro na decisão.
Na hipótese de eles decidirem ir ao Congresso, Mendonça assegurou que seja respeitado o direito ao silêncio, a assistência de advogado, e de que os irmãos de Toffoli não sofram “constrangimentos físicos ou morais decorrentes do exercício dos direitos anteriores”. Por fim, determinou que a decisão serve como salvo-conduto, medida que protege a liberdade de locomoção contra atos considerados coercitivos.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da comissão, avaliou como “uma vitória importante” as convocações e quebras de sigilo envolvendo Toffoli. De acordo com ele, a CPI do Crime Organizado poderá preencher uma lacuna importante, já que a instalação de uma comissão para investigar o caso Master enfrenta forte resistência no Congresso.
No requerimento, Vieira pede que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie as informações bancárias, fiscais, telefônicas e telemáticas da Maridt Participações S.A. referente ao período entre 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.
A CPI foi instalada em outubro de 2025 com objetivo de investigar o avanço de facções criminosas em diferentes regiões do país. Quando as investigações contra o Banco Master vieram à tona, os integrantes do colegiado incluíram no escopo da CPI a atuação das facções em mercados para ocultar atividades ilícitas.
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