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Com apartamentos e escritórios em baixa, Hong Kong investe em residências estudantis | Mundo

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O governo de Hong Kong está recorrendo à construção de residências estudantis para ajudar a compensar a queda na arrecadação de impostos sobre terrenos. Além disso, ajuda a lidar com o grande número de estudantes estrangeiros, muitos vindos da China continental, que têm dificuldade para encontrar acomodação em uma das cidades mais caras do mundo.

Este ano, o governo lançou as primeiras licitações públicas para três terrenos comerciais destinados exclusivamente ao uso como residências estudantis. Os três locais, incluindo um terreno privilegiado na recém-desenvolvida área de Kai Tak e dois terrenos nos Novos Territórios, poderão oferecer um total de 4.500 vagas.

O esforço para desenvolver esses terrenos ocorre em um momento em que o governo pretende aumentar as cotas de admissão para estudantes estrangeiros em universidades públicas para 50% quando o próximo ano letivo começar em setembro, declarou a secretária de Educação, Christine Choi Yuk-lin, à imprensa local no sábado.

O número de estudantes da China continental matriculados nas oito principais universidades da cidade já aumentou 77% na última década, chegando a 21.054 no ano passado. O número de estudantes estrangeiros aumentou 44%, chegando a 5.537.

Em outras palavras, cerca de um em cada quatro dos 104.629 estudantes de graduação e pós-graduação em tempo integral era de fora de Hong Kong.

Mas, à medida que a cidade atrai mais estudantes em busca de uma alternativa aos Estados Unidos, que por vezes se mostraram pouco receptivos a estudantes estrangeiros, especialmente chineses, sob a presidência de Donald Trump, encontrar moradia costuma ser um desafio.

“Muitas pessoas estão competindo por vagas muito limitadas nos dormitórios. A concorrência é acirrada”, disse Yiyi, de 23 anos, estudante da China continental que cursa mestrado na Universidade de Hong Kong (HKU).

A HKU tem mais de 20 mil estudantes, mas oferece apenas 7.800 vagas em dormitórios. Certa de que tinha poucas chances de conseguir uma dessas vagas, Yiyi começou a procurar moradia fora do campus dois meses antes do início do semestre letivo. Ela acabou alugando um quarto de cerca de 4 metros quadrados — aproximadamente do tamanho de uma vaga de estacionamento — perto da universidade. Seu aluguel mensal gira em torno de HK$ 5 mil (US$ 639), mais que o dobro do custo de um quarto médio em um dormitório da HKU e 25 vezes mais do que os cerca de 170 yuans (US$ 25) que pagava quando era estudante de graduação em Xangai.

“Para nós, moradia estudantil era algo completamente garantido na China continental”, disse ela.

Yelena, uma estudante de 24 anos de Shandong, compartilhou a dificuldade de Yiyi. Ela paga cerca de HK$ 5.600 por mês em Sha Tin, no norte de Hong Kong, a cerca de 40 minutos da Universidade Batista de Hong Kong, onde cursa mestrado em gestão de mídia.

“É definitivamente um grande fardo, especialmente porque os aluguéis estudantis em Hong Kong geralmente exigem o pagamento de grandes quantias adiantadas”, disse ela.

A crescente demanda de estudantes da China continental e do exterior ajudou a tornar a acomodação estudantil um dos poucos segmentos imobiliários que ainda atraem capital em Hong Kong.

O mercado de escritórios de alto padrão na cidade permanece lento. Uma alta taxa de vacância e a ampla oferta forçaram o governo a suspender a venda de terrenos comerciais após várias licitações fracassadas.

As autoridades conseguiram vender quatro terrenos residenciais graças à recuperação do mercado desse tipo de imóvel no ano passado. No entanto, a empresa de contabilidade PwC prevê que os prêmios de terrenos — receita gerada pela venda de direitos de uso da terra — ficarão HK$ 8 bilhões abaixo da meta do governo de HK$ 21 bilhões para o atual ano fiscal.

Os prêmios de terrenos, uma importante fonte de receita do governo, caíram 85%, de HK$ 89 bilhões para HK$ 13 bilhões nos últimos cinco anos fiscais.

A PwC, a EY e a KPMG preveem que o governo registrará um déficit fiscal entre HK$ 200 milhões e HK$ 11,2 bilhões. O governo divulgará seu balanço patrimonial durante o anúncio do orçamento em 25 de fevereiro.

A habitação estudantil é um ponto positivo. “Espera-se que isso ajude a diversificar a fonte de renda da venda de terrenos, em vez de depender principalmente de imóveis residenciais ou comerciais como no passado”, disse Rosanna Tang, chefe de serviços de desenvolvimento de negócios da corretora imobiliária Cushman & Wakefield, sobre a entrada do governo no setor.

A crescente demanda atraiu um interesse mais amplo do mercado e os bancos estão cada vez mais dispostos a oferecer melhores condições de financiamento para esses projetos.

“Os bancos estão demonstrando maior confiança em residências estudantis porque essa classe de ativos oferece renda de aluguel estável e tem baixa correlação com a volatilidade macroeconômica”, disse Kathy Lee, chefe de pesquisa e consultoria de varejo da empresa de gestão de investimentos Colliers.

Operadoras privadas transformaram alguns hotéis e escritórios em acomodações estudantis. As autoridades haviam recebido 25 solicitações para essas conversões até 4 de fevereiro, com a expectativa de disponibilizar 5.100 leitos.

As universidades também estão construindo novos dormitórios com mais de 6 mil leitos.

Mesmo com as 15.600 vagas extras, além das 40 mil vagas em dormitórios que as universidades públicas oferecem atualmente, analistas preveem que a escassez continuará, chegando a mais de 42 mil vagas até 2029, segundo uma estimativa.

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