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Peru derruba presidente e mergulha em novo vácuo de poder

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A persistente crise política no Peru parecia ter oferecido à nação andina um breve alívio pouco antes das eleições – que estavam marcadas para a acontecer em dois meses, mas novos escândalos envolvendo José Jerí, que atuou como presidente interino até sua destituição nesta terça-feira, acabaram por lhe custar o cargo e mergulharam o país em mais um vácuo de poder.

Jerí assumiu a presidência há apenas quatro meses, após ter sido presidente do Congresso quando a ex-presidente Dina Boluarte sofreu impeachment pelo Legislativo. Ele concentrou seu governo no combate ao crime, o que lhe rendeu considerável apoio entre os peruanos durante seus primeiros meses no cargo.

Agora, o político conservador, censurado pelo Congresso, torna-se o protagonista da oitava troca presidencial que a nação andina vivencia em quase uma década de instabilidade política, que começou após as eleições de 2016.

Um novo presidente deve ser escolhido pelo Congresso ainda nesta quarta-feira (18).

O que motivou a destituição de Jerí?

A popularidade de Jerí, um advogado de 39 anos, sofreu um revés quando uma série de encontros com empresários chineses vieram à tona. O mais controverso deles foi uma reunião à qual ele compareceu, encapuzado, em um restaurante de propriedade de um desses empresários, o que levou à abertura de uma investigação pelo Ministério Público por patrocínio ilegal e tráfico de influência agravado.

Além disso, foi amplamente noticiado na imprensa local que pelo menos cinco jovens mulheres obtiveram contratos governamentais após se encontrarem com Jerí no Palácio do governo, uma delas após passar toda a noite de Halloween lá e deixar a residência presidencial na manhã seguinte.

Essas revelações levaram à apresentação de várias moções de censura contra Jerí, que obtiveram assinaturas suficientes para serem processadas, mesmo com o Congresso em recesso até março.

    Nesta terça-feira, as moções foram aprovadas com 75 votos a favor, 24 contra e 3 abstenções. Como era deputado federal e atuava como presidente interino, sua destituição exigia uma votação por maioria simples no Parlamento.

    Ao ser censurado como presidente do Congresso, Jerí foi automaticamente impedido de continuar no cargo de presidente.

    Eleições no Horizonte

    Essa situação surgiu menos de dois meses antes das eleições gerais marcadas para 12 de abril.

    Vários partidos, que haviam apoiado a ascensão de Jerí à presidência a partir do Congresso, estavam ansiosos para evitar serem afetados nas urnas pela impopularidade que o ex-presidente vinha enfrentando nas últimas semanas.

    Peru caminha para escolher seu oitavo presidente em dez anos

    Ollanta Humala (2011-2016) foi o último presidente a completar um mandato inteiro. Desde então, em quase uma década, sete presidentes ocuparam o Palácio do Governo em Lima.

    O Congresso do Peru escolherá o novo presidente interino do país nesta quarta-feira, em sessão plenária extraordinária. Este será o oitavo presidente interino desde 2016.

    Não há um favorito claro para esta presidência de curta duração, já que a maioria dos parlamentares participará das eleições para o Senado e a Câmara dos Deputados. Além disso, a baixa popularidade, as investigações e as controvérsias que cercam muitos dos potenciais candidatos dificultam ainda mais a busca por um consenso.

    Quem são os candidatos a assumir a presidência?

    Dois congressistas de direita, María del Carmen Alva e Héctor Acuña, juntamente com dois de esquerda, Edgar Reymundo e José Balcázar, apresentaram suas candidaturas na terça-feira para assumir a Presidência do Congresso e, consequentemente, a Presidência do Peru, após a destituição de José Jerí de ambos os cargos.

    As candidaturas foram formalizadas em cartas separadas enviadas antes do prazo final na tarde de terça-feira ao secretário do Congresso, Giovanni Forno.

    Alva é advogado, tem 58 anos e é membro da Ação Popular (AP), partido que ocupou a presidência do Peru três vezes: com seu fundador, Fernando Belaúnde, de 1963 a 1968 e novamente de 1980 a 1985, e com o deputado Valentín Paniagua liderando o governo de transição entre 2000 e 2001, após a renúncia de Alberto Fujimori (1990-2000).

    Acuña é engenheiro civil e empresário, tendo ingressado no Congresso como representante do partido de seu irmão, a Aliança para o Progresso (APP), de direita, embora posteriormente tenha se afastado devido a divergências e transitado por diversos blocos antes de ingressar no Honra e Democracia, composto em grande parte por oficiais aposentados de alta patente das Forças Armadas.

    Reymundo foi prefeito, na década de 1980, do distrito de Chilca, na região central andina de Huancayo, pela aliança Esquerda Unida, e também deputado federal no período de 2006 a 2011 pelo partido centrista União pelo Peru, antes de retornar ao atual parlamento pelo partido de esquerda Juntos pelo Peru.

    Já Balcázar, que era magistrado e membro da Suprema Corte de Justiça do Peru, chegou ao Congresso como representante do Peru Libre, partido que venceu a Presidência do Peru em 2021 com o candidato Pedro Castillo, que posteriormente foi destituído do cargo e atualmente cumpre pena por sua tentativa fracassada de golpe no final de 2022.

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