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Irã processa políticos reformistas por “propaganda contra o sistema”

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O Poder Judiciário do Irã informou nesta terça-feira que abriu processos contra os políticos reformistas que foram detidos na semana passada e libertados sob fiança, sob a acusação de “propaganda contra o sistema”, após terem criticado a repressão aos protestos nos quais morreram milhares de pessoas em janeiro. “Quanto às pessoas detidas nos últimos dias e que estão relacionadas à Frente de Reformas, foi aberto um processo na Promotoria por propaganda contra o sistema”, disse o porta-voz do Judiciário iraniano, Asgar Jahangir, em entrevista coletiva, segundo a agência de notícias iraniana Mizan. Jahangir indicou que, embora essas pessoas tenham sido libertadas mediante o pagamento de uma fiança de 50 bilhões de riais (cerca de 26,6 mil euros), seus casos continuam sob investigação.

As autoridades iranianas detiveram na semana passada seis membros da Frente de Reformas – coalizão de partidos moderados que busca uma abertura do país dentro do quadro da República Islâmica –, e libertaram dias depois quatro deles: a líder Azar Mansouri; o porta-voz Javad Emam; Mohsen Aminzadeh, ex-ministro das Relações Exteriores (1997-2005); e o ex-parlamentar Ebrahim Asgharzadeh. Os outros dois detidos, Hossein Karrubi e Ali Shakourirad, permanecem na prisão cumprindo penas anteriores que haviam sido suspensas.

Todos eles haviam criticado a violenta repressão aos protestos antigovernamentais que começaram em 28 de dezembro do ano passado devido à queda do rial em Teerã, mas que logo se espalharam pelo resto do país, em meio a apelos pelo fim da República Islâmica. Essas mobilizações foram sufocadas após uma repressão na qual o governo iraniano reconhece 3.117 mortos, enquanto organizações de oposição como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, situam em 7.015 o número de falecidos, embora continuem verificando mais de 11,7 mil possíveis mortes e estimem cerca de 53 mil prisões.

Além da prisão de políticos, nas últimas semanas foram detidos numerosos ativistas, entre eles o roteirista Mehdi Mahmoudian, indicado ao Oscar pelo filme Um Simples Acidente. Também a vencedora do Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, foi condenada em 8 de fevereiro a uma nova pena de sete anos de prisão, a décima sentença contra ela desde 2021.

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