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6 pontos para entender a teia que liga Toffoli a Vorcaro

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Telefonemas, um convite pessoal para festa de aniversário e conversas sobre pagamentos estão entre os novos elementos descobertos pela Polícia Federal que ligam o banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Eles se somaram a outros elementos, como uma viagem de jatinho ao Peru feita pelo ministro em companhia de um advogado ligado ao Banco Master e as dificuldades impostas por Toffoli às investigações da Polícia Federal.

Esses elementos não só colocaram em questão a imparcialidade e fizeram o magistrado abrir mão do julgamento do caso Master, como podem ser indícios de possíveis crimes praticados pelo ministro. Toffoli nega ter recebido dinheiro ilícito e diz que não tem relação de intimidade com Vorcaro ou seus familiares.

Para o advogado constitucionalista Adriano Soares da Costa, não só há “elementos suficientes para se avaliar a imparcialidade do ministro”, mas também para se iniciar um processo para avaliar se Toffoli deve permanecer do STF. Na avaliação do jurista, o aspecto mais sensível é que a PF teria cumprido o dever de comunicar ao presidente do Supremo indícios de possível prática criminosa envolvendo um integrante da Corte.

Para ele, a República brasileira jamais enfrentou situação semelhante, e os instrumentos possíveis seriam um processo de impeachment no Senado ou uma atuação interna do próprio tribunal.

Para tentar conter a crise, os ministros do STF decidiram que Toffoli abriria mão do comando do inquérito, mas não seria investigado por suspeição. Essa solução faz com que as provas obtidas pela polícia até agora não sejam invalidadas, mas não está claro se as descobertas da PF em relação a Toffoli serão investigadas ou engavetadas por ordem da Corte.

Veja abaixo os cinco pontos importantes que ligam o magistrado a Vorcaro e ao Banco Master.

1. Telefonemas diretos entre Toffoli e Vorcaro e convite para aniversário

O relatório da PF sobre as ligações de Vorcaro e Toffoli tem cerca de 200 páginas e é baseado em grande parte em informações extraídas de seis celulares de Vorcaro tanto na primeira quanto na segunda fase da operação Compliance Zero.

Há registros de ligações diretas de aparelhos de Vorcaro para o telefone de Toffoli, mas como não havia ordem judicial as conversas não foram monitoradas e não é possível saber o que foi falado.

Entre os dados extraídos dos celulares está um convite feito por Toffoli a Vorcaro para uma festa de aniversário. Investigadores registraram o episódio como indicativo de proximidade pessoal — elemento que extrapolaria eventual relação institucional. O indício se soma a relatos de testemunhas sobre visitas feitas no passado por Toffoli a Vorcaro.

Toffoli divulgou duas notas sobre o caso. Em uma delas classificou as informações apuradas pela PF como “ilações” e em outra disse que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro.”

2. Conversas mencionam pagamentos a Toffoli

O relatório da Polícia Federal também identificou nos aparelhos eletrônicos conversas entre Vorcaro e terceiras pessoas que falam de forma cifrada a pagamentos feitos pelo grupo do banqueiro ao ministro do STF, além de registros envolvendo o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

Após a divulgação dessas informações, o gabinete de Toffoli divulgou uma nota afirmando: “o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.

Zettel se liga ao caso por causa do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Esse hotel de luxo pertenceu à empresa Maridt Participações, que tem como sócios o próprio Toffoli e seus irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli. Zettel é o dono do Fundo Arllen, que comprou parte da participação da Maridt no empreendimento.

Segundo fontes ligadas à investigação, há menções de pagamentos a Toffoli mas ainda não teria sido invstigado se esses pagamentos realmente aconteceram e qual seriam os valores mencionados.

3. Toffoli é sócio da empresa que vendeu participações em resort a cunhado de Vorcaro

Após a divulgação da informação de que um celular de Vorcaro continha menções de pagamentos a Toffoli, o ministro divulgou nota afirmando pela primeira vez em público que é sócio da Maridt participações.

A nota dá detalhes de como as participações no resort Tayaya já não pertenciam à família de Toffoli quando ele assumiu a relatoria do caso Master. Ele também afirmou que sempre declarou sua participação societária e que recebeu apenas dividendos legais.

Toffoli ressalta na nota que “a Maridt é uma empresa familiar” constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado e devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal, sendo “sempre devidamente aprovadas”.

A participação da firma no Tayayá foi vendida a dois fundos. A primeira transação aconteceu em 27 de setembro de 2021 e o comprador foi o Fundo Arllen, de Zettel, cunhado de Vorcaro.

A segunda venda aconteceu em 21 de fevereiro de 2025, em favor da PHD Holding, empresa que pertence ao empresário e advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, processadora de alimentos da J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ministro também ressaltou que só assumiu a relatoria do caso em novembro de 2025. “Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, disse em uma das notas.

4. Ministro foi ao Tayayá após venda, mas se conteve após ações da PF

Toffoli afirmou em nota que a Maridt vendeu sua última participação no resort Tayaya em fevereiro de 2025. Mas ele continuou frequentando o local com frequência pelo menos até agosto do ano passado, segundo um levantamento feito pela Gazeta do Povo nas tabelas de liberação de servidores do TRT2 para acompanhar o ministro. Esses registros oficiais mostram as diárias de seguranças que acompanharam o ministro ao hotel de luxo.

Toffoli passou pelo menos 100 dias no local entre de dezembro de 2022 a agosto de 2025, época em que a Polícia Federal apertou o cerco ao Master, tanto com a Operação Carbono Oculto em agosto e depois com a Compliance Zero em novembro. O ministro não foi mais ao Resort Tayayá com seguranças nesse período.

Uma equipe de reportagem do portal Metrópoles foi ao resort nesse ano e apurou que Toffoli ainda realizou uma festa no fim de 2025 no local. O resort operaria um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer, e era chamado por funcionários de “o resort do Toffoli”, segundo a reportagem.

5. Condução do caso por Toffoli gerou atritos com a PF

Decisões atípicas de Toffoli na condução do caso Master geraram uma série de atritos com a Polícia Federal e deram origem a dúvidas sobre sua imparcialidade como relator.

Toffoli assumiu a relatoria após pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o caso fosse remetido ao STF, sob o argumento de que havia menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado.

Na condução do processo, Toffoli centralizou no STF a custódia das provas e as oitivas, determinou a realização de acareação antes de alguns depoimentos e elaborou perguntas próprias aos investigados — procedimentos considerados atípicos por integrantes da investigação.

Inicialmente, também restringiu o acesso da Polícia Federal aos materiais apreendidos — entre eles, celulares e documentos — recuando posteriormente para permitir a atuação do Ministério Público Federal e a realização de perícia com equipe limitada a quatro agentes.

Por fim, reduziu prazos para depoimentos e solicitou novo cronograma de diligências, medida vista por integrantes da corporação como exígua diante da complexidade do caso.

Esse conjunto de decisões passou a integrar o pano de fundo da crise que culminou na desistência do ministro da relatoria.

6. Ministro viajou ao Peru com advogado ligado ao Master

No mesmo dia em que determinou o sigilo da investigação, o ministro viajou ao Peru em aeronave de um empresário e de um advogado ligado ao Banco Master para acompanhar a final da partida de futebol da Copa Libertadores da América. O advogado defende um um diretor investigado no caso.

A viagem aconteceu poucos dias antes de Toffoli impor sigilo máximo ao processo que tramita no STF envolvendo Daniel Vorcaro. O sigilo foi determinado a pedido da defesa de Vorcaro, que chegou a permanecer dez dias preso. Com a decisão, informações que antes estavam disponíveis no site do STF foram retiradas, impedindo o acesso público aos detalhes da tramitação.

Veja a última nota do gabinete de Toffoli

Veja abaixo na íntegra a última nota do gabinete do ministro Dias Toffoli sobre as descobertas da Polícia Federal a partir da quebra da criptografia dos celulares apreendidos do banqueiro Daniel Vorcaro:

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

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