A Argentina saiu na frente e se tornou, pouco antes da meia-noite de quinta-feira, o primeiro país do Mercosul, bloco também formado por Brasil, Uruguai e Paraguai, a obter a primeira aprovação legislativa do tão aguardado acordo comercial com a UE, ao ser aprovado pela Câmara dos Deputados.
Apesar das diferenças ideológicas entre os governos dos países do Mercosul, todos apoiam integralmente este acordo comercial, que está em desenvolvimento há mais de 25 anos, e agora os líderes iniciaram uma corrida para serem os primeiros a ratificá-lo, mesmo que o processo tenha sido contestado judicialmente na Europa.
O pacto foi assinado em 17 de janeiro em Assunção, após árduas negociações. Este acordo cria um espaço econômico integrado com mais de 700 milhões de pessoas, representando cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e cerca de 35% do comércio global, de acordo com dados da UE.
Embora os presidentes dos quatro países do Mercosul tenham enviado o projeto aos seus congressos buscando uma ratificação rápida, foi o presidente argentino, Javier Milei, quem agiu com maior rapidez, decidindo incluí-lo na pauta das sessões extraordinárias de fevereiro, antes do início oficial do período legislativo ordinário em 1º de março, após o recesso de verão.
Milei apresentou o projeto ao Legislativo em 6 de fevereiro, convicto de que “o acordo apresenta inúmeros benefícios” para a Argentina.
Poucos dias antes do argentino, em 2 de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou o acordo Mercosul-UE ao Congresso brasileiro para iniciar o processo de ratificação no primeiro dia das sessões legislativas de 2026, um gesto com o qual busca acelerar o processo.
Lula quer que seja um processo rápido porque, em sua visão, o acordo Mercosul-UE abre “um novo ciclo de oportunidades” para as empresas brasileiras, fortalecendo a competitividade do país, expandindo as exportações e atraindo investimentos.
O presidente da Câmara dos Representantes, Hugo Motta, prometeu dinamizar o processo e anunciou que a proposta será votada em sessão plenária da Câmara na “semana seguinte ao Carnaval”, ou seja, na última semana de fevereiro, antes de ser encaminhada ao Senado.
Outros países buscam avançar com acordo
O governo uruguaio submeteu o projeto de acordo para ratificação ao Parlamento em 10 de fevereiro, sendo o último a fazê-lo, mas espera concluí-lo ainda em fevereiro e ser o primeiro a ratificá-lo.
O debate está previsto para começar na próxima terça-feira, quando representantes de diferentes ministérios e delegações dos setores produtivo e trabalhista irão defendê-lo.
O governo uruguaio do presidente progressista Yamandú Orsi descreveu o documento como de grande importância devido ao significativo impacto econômico que terá no país.
Por sua vez, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, saudou em seu país a assinatura do acordo mais aguardado em décadas e acredita que, após a ratificação pelos parlamentos nacionais, o Mercosul será “a melhor plataforma” para conectar outras regiões do mundo.
Na última quinta-feira, Peña apresentou o acordo de associação à Comissão Permanente do Congresso de seu país – que se reúne durante o recesso parlamentar – para ratificação e compartilhou os benefícios do acordo com os sindicatos.
O Paraguai, com 6,1 milhões de habitantes, detém a presidência pro tempore do Mercosul e vê neste acordo oportunidades para seus produtos de exportação e investimentos.
Acordo segue paralisado na Europa
Embora os governos do Mercosul estejam agilizando os procedimentos, na Europa a ratificação pode levar até dois anos, visto que o processo foi judicializado e se transformou em uma disputa.
Para que o acordo assinado em Assunção em 17 de janeiro entre em vigor, ele precisa ser ratificado por pelo menos um país do Mercosul e pela União Europeia.
O Parlamento Europeu não pode ratificá-la até que o Tribunal de Justiça da UE se pronuncie, mas legalmente a Comissão Europeia poderia decidir começar a aplicá-la provisoriamente sem esperar pelo Parlamento Europeu.
A Comissão Europeia ainda não esclareceu se implementará o acordo provisoriamente, embora o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, tenha instado a Comissão a aplicar o acordo assim que este for ratificado por um dos parceiros do Mercosul, uma vez que os 27 Estados-Membros já o aprovaram.
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